Dentre todos os presentes, provavelmente apenas Roberto Lacerda percebeu claramente o quão feia ficou a expressão de seu chefe quando a pequena criança se atirou nos braços de Vicente Freitas.
A atitude de Maia para com Vicente Freitas foi algo que Ronaldo Silva não presenciou durante todo aquele dia.
Quem não soubesse, pensaria que Vicente Freitas era o verdadeiro pai biológico dela.
Claramente, a pessoa que passara o dia inteiro com ela tinha sido ele.
Mas ele, incrivelmente, não havia recebido sequer um único sorriso da criança.
Antes de Vicente Freitas aparecer, ele ainda conseguia se consolar intimamente, pensando que talvez Maia não fosse como as outras crianças, tão animada e sorridente.
Porém, a aparição de Vicente Freitas destruiu as mentiras que ele contava para si mesmo.
Sua própria filha correu empolgada para chamar outro homem de papai.
E bem na frente dele!
Isso, sem dúvida, foi como um tapa na cara de Ronaldo Silva, fazendo-o perder o orgulho.
Ele teve que se esforçar muito para não perder a paciência, conseguindo apenas dizer as palavras seguintes como uma forma de tentar preservar o mínimo de dignidade.
No entanto, o efeito continuou sendo muito pequeno.
Mãe e filha, Lília Andrade e Maia, não lhe deram nenhuma resposta.
Vicente Freitas também não o presenteou com sequer um olhar a mais durante todo o tempo.
Roberto Lacerda observou as silhuetas deles se afastando e não pôde evitar a vontade de suspirar.
Seu chefe tinha perdido de forma realmente miserável.
Sem comparação, não há dor!
Ele acreditava que o próprio chefe também havia sentido a diferença de importância que ele e Vicente Freitas tinham nos corações da mãe e da filha.
Eles simplesmente não estavam no mesmo nível!
O sol se punha no oeste, e a luz dos raios avermelhados no céu caía sobre as três pessoas, como se as cobrisse com um brilho quente e suave.
O homem, carregando a criança, caminhou a passos lentos para dentro do condomínio.
Seus passos eram firmes, e sua silhueta alta e ereta transmitia uma enorme sensação de segurança.
A bela mulher ao seu lado segurava seu braço em uma postura íntima.
De vez em quando, ela levantava o rosto para conversar com a criança. Talvez estivessem falando de algo engraçado, pois ocasionalmente podiam ser vistos sorrisos alegres em seus rostos.
Um possessividade insana começou a crescer descontroladamente em seu coração, quase atingindo o ponto de perder o controle!
Lília Andrade não fazia ideia de nada disso.
Todo o seu corpo e mente agora estavam praticamente focados apenas no homem adulto e na criança à sua frente.
Outras pessoas já não eram capazes de causar a menor agitação em seu coração!
Os três caminharam entre conversas e risadas e logo chegaram em casa.
Ao entrarem pela porta, Maria Lacerda e Jobson Andrade vieram recebê-los imediatamente.
O casal de idosos havia esperado em casa o dia todo, temendo que algo de ruim acontecesse à sua preciosa neta.
Agora que finalmente a viram de volta, apressaram-se em perguntar com preocupação:
— A nossa querida Maia voltou? Como foi o dia lá fora?
Maria Lacerda perguntou com ainda mais apreensão e nervosismo:
— Aquele tal de Silva disse alguma coisa que não devia? Ou fez algo de errado?
— Ele continuou falando com você de forma rude, como antes? Ele fez bullying com você?

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