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Nunca Mais — O Amor Que Você Desperdiçou romance Capítulo 863

Vicente Freitas deu um tapinha afetuoso na cabeça dela, sem se esquecer da recompensa que havia prometido à irmã:

— Aquele carro esporte que você gostava antes, eu já encomendei. No entanto, o transporte até o Brasil levará um pouco de tempo. Você precisará ter paciência e aguardar.

— Uau!

Francisca Freitas jamais imaginou que o seu irmão ainda se lembraria desse detalhe e, de repente, comemorou com imensa alegria:

— Irmão, você é o melhor de todos!

Vicente Freitas observou a felicidade dela, que parecia transbordar sem limites, com um olhar de total indulgência.

Com uma irmã tão sensata e comportada, ele sempre fazia questão de ser extremamente generoso.

Francisca Freitas decidiu não atrapalhar mais o trabalho do seu irmão e saiu muito feliz com os ingressos em mãos.

Ao caminhar, os seus passos pareciam especialmente alegres e saltitantes.

Depois que ela partiu, o escritório de Vicente Freitas voltou a mergulhar em um silêncio absoluto.

Ele chamou Ramon Pinheiro e perguntou:

— O Dr. Castro já voltou?

Ramon Pinheiro respondeu com sinceridade:

— Ainda não...

Naquele momento, em uma cafeteria de alto padrão na Cidade Capital.

O Dr. Castro estava negociando diretamente com Ronaldo Silva.

A expressão no seu rosto era séria, severa e totalmente implacável:

— Presidente Silva, considerando as circunstâncias que eu acabei de listar: primeiramente, o senhor cometeu adultério durante o casamento e, em seguida, abriu mão do direito de guarda.

— Além disso, durante o período matrimonial, o senhor negligenciou profundamente o cuidado e o afeto em relação à criança.

— Somando isso ao fato de o senhor possuir, atualmente, uma deficiência física, ao analisarmos todos os ângulos, fica evidente que o senhor não possui a capacidade de cuidar da criança de forma independente.

— Portanto, eu represento a senhorita Lília Andrade e estabeleço este acordo com a sua parte.

— Será permitido que o senhor visite a criança duas vezes por mês, e essa já é a nossa maior concessão!

Ronaldo Silva manteve uma expressão gélida e não pronunciou uma única palavra.

O advogado que o representava ao lado, por sua vez, manifestou-se dizendo:

— Duas vezes por mês é um tempo excessivamente escasso.

— Embora o meu cliente estivesse sobrecarregado de trabalho no passado e não pudesse dedicar mais atenção à criança, ele jamais a negligenciou financeiramente no que diz respeito ao seu sustento.

— Durante os períodos em que a criança esteve doente, ele também se empenhou em encontrar médicos e garantir os tratamentos adequados.

— Quanto ao divórcio, as duas partes assinaram o acordo em um estado de tranquilidade, o que deve ser considerado uma separação pacífica.

— Diante disso, a nossa exigência é de que o direito de visitação não seja inferior a dez dias por mês.

— E dentre esses dias, é essencial que a criança pernoite e conviva com o pai pelo menos um dia a cada fim de semana, a fim de fortalecer os vínculos afetivos entre pai e filha.

O Dr. Castro empurrou levemente os seus óculos e respondeu em um tom sereno:

— Sinto muito, mas avaliando as circunstâncias que levaram ao divórcio, o seu cliente não possui qualquer prerrogativa para pleitear tais condições.

— Sendo ele a parte culpada pelo fim do casamento, e com base nas experiências pregressas, o seu cliente poderia até mesmo causar danos psicológicos e traumas à criança...

O Dr. Castro não fez essa afirmação sem possuir motivos concretos.

— A criança também não poderá morar com ele, nem será permitido que passe a noite na sua casa.

— Ao término do horário estipulado, a criança deverá ser rigorosamente devolvida à mãe.

— Durante os momentos de convívio entre pai e filha, o relacionamento poderá ser cultivado, contudo, é estritamente proibido inculcar na criança ideias negativas a respeito da mãe ou da sua família materna, ou tentar aliená-la e prejudicar o seu relacionamento com a mãe...

— Visando resguardar o bem-estar psicológico da criança, durante as saídas, a mãe também designará uma pessoa de confiança para acompanhá-los, e o lado do Sr. Silva não terá o direito de recusar essa condição.

— Adicionalmente, enquanto o Sr. Silva estiver com a criança, ele não poderá forçá-la a realizar nenhuma atividade contra a sua vontade!

— Por fim, se o Sr. Silva fizer questão de levar a criança até a sua casa, ele deverá garantir que a menina não sofra nenhum tipo de intimidação, humilhação ou maus-tratos por parte dos seus familiares.

— Caso contrário, se qualquer infração for detectada, o direito de visitação será sumária e permanentemente cancelado...

No total, havia mais de uma dezena de exigências rigorosas.

Cada uma dessas regras possuía um foco extremamente específico.

No entanto, ao ouvi-las, todas soavam absolutamente razoáveis e fundamentadas.

Isso porque a família Silva de fato nunca havia demonstrado afeto por Maia, e o tratamento dispensado a ela no passado fora péssimo.

Portanto, após a apresentação de todas essas condições, ainda que Ronaldo Silva tivesse resistido inicialmente, diante das evidências irrefutáveis e do rigor implacável do Dr. Castro, ele não teve alternativa senão ceder e aceitar.

Pois não havia sequer uma cláusula que ele pudesse contestar!

— Tudo bem, eu aceito.

Ronaldo Silva fechou os olhos brevemente, e a sua voz carregava um indisfarçável tom de exaustão.

No passado, ele havia negligenciado a sua filha, e desde que tomou consciência dos seus erros, o arrependimento e a culpa não o abandonaram.

Porém, jamais, em nenhum momento anterior, ele teve a percepção tão cristalina e dolorosa de quão triste Maia deve ter se sentido naquela época.

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