Lília Andrade leu e só achou graça.
Muito bem, fez o estrago e ainda soube limpar a bagunça.
No entanto, Lília Andrade, vendo as mensagens que Vicente Freitas respondeu por ela, achou que foi bom.
Afinal, ela dormiu o dia inteiro e, mesmo que conseguisse levantar, não teria condições de arrastar esse corpo quebrado de volta ao trabalho.
Depois de ler as mensagens e sentir que recuperou um pouco de energia, ela finalmente se levantou, planejando se lavar e procurar algo para comer.
Mas ela superestimou a si mesma.
Assim que seus pés tocaram o chão, uma onda de fraqueza a atingiu.
Ela se desequilibrou e quase caiu; felizmente, segurou-se a tempo no móvel de cabeceira e caiu de volta na cama.
Realmente, foi libertinagem demais.
Lília Andrade cobriu o rosto vermelho; esse corpo quase não parecia mais seu, não tinha controle nenhum.
Mas também não podia continuar deitada. Lília Andrade esperou mais um pouco e, enrolada no lençol, levantou-se trêmula novamente.
Queria ir ao closet procurar uma roupa.
O vestido da noite anterior fora tão maltratado no final que nem precisava olhar para saber que não servia mais.
Além disso, ela não queria vestir aquele vestido de novo.
Nesse momento, a porta fez um clique e foi aberta por fora.
Lília Andrade enrijeceu o corpo, virou a cabeça e encontrou o olhar do homem parado à porta.
Aquele rosto bonito continha um sorriso leve; as sobrancelhas refinadas mostravam a satisfação de quem foi saciado.
Ele vestia um traje casual cinza-claro, com a postura esguia encostada no batente da porta, emanando uma preguiça nobre por todo o corpo.
A aura fria e proibitiva diminuiu um pouco, dando lugar a um charme despojado.
— Acordou?
Ele perguntou com voz grave e gentil.
Assim que Lília Andrade ouviu aquela voz familiar, seu rosto corou incontrolavelmente.
Na noite anterior, foi essa voz maravilhosa ao pé do ouvido que a deixou tonta, fazendo-a recuar e ceder vez após vez!
Naquele momento de consciência confusa, ela só achava que aquele homem era um ser encantado, perito em seduzir, e ouvindo seus agrados gentis, parecia que poderia até dar a vida a ele.
Como que para confirmar, sua barriga roncou alto em concordância.
Vicente Freitas ouviu claramente e não pôde deixar de rir:
— É natural que esteja com fome, dormiu o dia todo. O jantar acabou de ficar pronto; se você não tivesse acordado, eu teria ido te chamar.
Lília Andrade não queria dizer nada, mas vendo o sorriso contido no tom dele, finalmente não resistiu e lançou-lhe um olhar de censura:
— A culpa é toda sua!
Não bastava não dar comida, nem água ele deu.
Sua garganta... quem não soubesse pensaria que ela tinha se machucado gravemente, de tão rouca que estava!
Seu tom era de vergonha misturada com queixa, e ainda trazia um toque de manha.
Talvez por ter sido recém-nutrida pela paixão, o olhar que lançou a Vicente Freitas também tinha um charme indescritível.
Vicente Freitas viu isso; os olhos do homem escureceram, e seu coração amoleceu.
Ele sabia que tinha exagerado um pouco na noite anterior.
Não que não tivesse pensado em se controlar.

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