Lília Andrade não conseguia pensar em mais nada; sua razão foi varrida por aquele beijo.
Ela e Vicente Freitas já haviam se beijado muitas vezes.
Mas cada vez parecia uma experiência diferente.
Ternos, apaixonados, contidos.
Porém, nenhuma vez foi como esta noite, que Lília Andrade sentiu ser perigosa, carregada de uma agressividade total.
Enquanto tentava acompanhar, ela estava internamente surpresa.
Várias vezes tentou recuperar a razão, mas quando seus olhos encontravam os de Vicente Freitas, via pupilas negras e insondáveis.
Era como um vórtice, emanando uma atração fatal, querendo puxá-la para dentro e devorá-la completamente.
Lília Andrade sentiu seu coração perder o ritmo, incapaz de controlar a confusão diante daquele olhar.
No fundo do coração, surgiu uma sensação indefinível de flutuar.
Era como se tivesse sido jogada nas nuvens; se pisasse forte, cairia.
Se pisasse leve, não se firmaria.
A sensação de instabilidade a deixou em pânico.
Por instinto, ela praticamente se agarrou a ele.
Com esse movimento, o canto dos olhos de Vicente Freitas começou a ficar avermelhado.
A expressão fria e distante derreteu, substituída por um desejo cada vez mais denso.
O homem moveu seu pomo de adão sexy, e os beijos superficiais passaram a vagar pelo pescoço de Lília Andrade, pela clavícula...
Entre as carícias, o vestido deslizou para baixo.
Dentro do carro, na penumbra, vislumbrava-se uma cena deslumbrante.
À sua frente, a pele de porcelana de Lília Andrade tingia-se de rubor.
A respiração do homem ficou pesada, e ele deitou lentamente a figura delicada em seus braços...
Lília Andrade já estava tonta de tantos beijos, perdendo o norte.
Em seu estado confuso, sentiu apenas o oxigênio ficar escasso e o ar parecer cada vez mais quente.
Com dificuldade, recuperou um fio de consciência, apenas para descobrir que o carro, sem que ela percebesse, já havia parado na garagem do Flor do Rio.
No espaço silencioso, estavam apenas os dois.
Ela estava pressionada contra o banco, e a parte superior do corpo estava descoberta.
E à sua frente estava Vicente Freitas, emanando uma tensão sexual avassaladora, sem nenhum traço de sua habitual frieza ascética, com os olhos transbordando posse e desejo de conquista...
— Vicente, você... por que de repente...
Lília Andrade estava um pouco em pânico, com os olhos marejados, lutando para se levantar.
Vicente Freitas apenas pressionou levemente os ombros dela, impedindo-a de se mover.
Os olhos do homem eram de um preto intenso, e os cantos avermelhados eram extremamente sedutores.
Sua voz saiu baixa, rouca e magnética:
— Hm? De repente o quê?
Sob a tentação daquela voz, o coração de Lília Andrade saiu totalmente do compasso.
Ela não era uma garota ingênua; afinal, já tinha tido um filho. Ela sabia muito bem o que estava prestes a acontecer...
Embora soubesse que esse dia chegaria cedo ou tarde.
Primeiro, porque ela raramente havia passado por isso.
Em seus anos de casamento com Ronaldo Silva, as vezes que ele a tocou podiam ser contadas nos dedos.
Segundo, os dotes físicos desse homem... não seriam um pouco exagerados?
Lília Andrade agarrou firmemente os ombros dele, inspirando com dificuldade, e negociou com o homem com voz embargada:
— Vicente... podemos... parar?
Vicente Freitas estava apenas com alguns botões da camisa abertos; o terno bem cortado ainda estava perfeitamente em seu corpo.
Ele só havia desabotoado o cinto e a calça social.
Exteriormente, não parecia haver nada de anormal.
Mas sua testa estava coberta de suor, e seu rosto bonito transparecia uma intensa contenção.
Ao ouvir as palavras dela, Vicente Freitas quase riu.
Neste momento, como seria possível parar?
Ele só pôde tentar manter a calma, abraçando-a gentilmente e cobrindo-a de beijos miúdos, com a voz rouca.
Depois, como quem a consola, sussurrou em seu ouvido:
— Lília, seja boazinha, não tenha medo. Relaxe um pouco, logo passa.
Ele não imaginava que ela seria tão... inexperiente e adorável.
Lília Andrade sentiu-se um pouco injustiçada. Com os olhos vermelhos, ela parecia digna de pena.
— Então não aqui, pode ser? Por favor...

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