O coração de Lília Andrade doeu repentinamente. Ela abraçou Vicente Freitas instintivamente, apertando-o com força. Naquele momento, não pensou em mais nada, apenas queria dar-lhe um abraço caloroso.
— Nascer em uma família assim deve ter sido muito difícil. Sua infância foi como você descreveu?
— Sim — Vicente Freitas não negou.
Sendo o primogênito, ele demonstrou talento e inteligência surpreendentes desde cedo. A família Domingos, claro, percebeu isso. Desde o início, ele foi criado para ser o herdeiro. A infância de Vicente Freitas foi quase inteiramente dedicada ao aprendizado de diversos conhecimentos, habilidades e etiqueta social... Não havia um momento sequer para si mesmo. Até o sono e as refeições eram rigorosamente regulados.
Só mais tarde, quando cortou relações com a família e entrou resolutamente para as forças armadas, é que finalmente deixou de ser controlado por eles.
O tom do homem era calmo, mas Lília Andrade sentiu uma pontada de tristeza. Comparada à sua própria infância, a de Vicente Freitas fora árdua. Embora ela estudasse medicina e seu tempo fosse ocupado pelos estudos, era algo que ela amava, então sua infância foi plena e feliz.
Não era de admirar que o Vicente Freitas de agora parecesse onipotente, como se nada pudesse derrotá-lo. Ele havia suportado coisas que pessoas comuns jamais suportariam.
Lília Andrade o abraçou forte, consolando-o ao pé do ouvido:
— Tudo isso já passou!
Sua mão dava tapinhas leves no ombro dele, como se estivesse acalmando a pequena Maia. A voz suave fez Vicente Freitas baixar suas defesas.
Sua expressão permaneceu calma; o passado não afetava seu humor. Para ele, aquelas pessoas da família Domingos eram irrelevantes. No entanto, as ações que pertenciam à sua mãe precisavam ser recuperadas.
— Posso ignorar o resto, não quero nada da família Domingos, mas o que é da minha mãe e o que é meu, ninguém vai tirar!
Lília Andrade o apoiou totalmente. Ela se afastou um pouco, segurando os ombros dele, e perguntou:
— Então, o que você vai fazer?
Vicente Freitas ouviu isso e olhou para ela com um sorriso enigmático.
— Talvez não seja bem assim.
— Hum? — Lília Andrade sentiu uma nova onda de crise e o encarou confusa. O que isso significava? Será que ele ainda teria que ter o filho?
Ela estava prestes a perguntar mais, mas Vicente Freitas virou a cabeça, olhou pela janela e mudou de assunto:
— Este não parece ser o caminho para a sua casa.
Lília Andrade olhou para fora e percebeu que era verdade.
— Isso parece... o caminho para o Flor do Rio? Por que o motorista está indo para lá?

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