— Não me provoque, eu mal consegui me controlar. Lília, ainda não é a hora...
Antes de resolver todos os boatos e mudar as ideias arraigadas do velho avô, ainda não era o momento. Ela era a pérola em suas mãos, seu tesouro; ele não queria que ela sofresse qualquer tipo de injustiça.
Lília não entendeu o que estava oculto nas palavras que ele não terminou, apenas seguiu o fluxo e perguntou: — Então, quando será a hora certa?
O pomo de adão de Vicente subiu e desceu duas vezes, a voz rouca e absurdamente sexy: — Não vai demorar muito.
Lília assentiu e respondeu obedientemente: — Tudo bem, então vamos esperar mais um pouco. Quanto a agora...
As orelhas dela ficaram subitamente vermelhas, e ela enterrou o rosto no peito dele. Sem ousar encará-lo, disse com voz baixa e tímida: — Eu te ajudo de outra forma... também não quero te ver sofrendo tanto para aguentar...
Ela já tinha se decidido e criado coragem, então, sem esperar que Vicente aceitasse ou recusasse, sua mãozinha já abraçava a cintura dele. Ouviu-se um leve clique, o som de um botão sendo aberto.
Vicente ficou completamente mudo, sentindo apenas uma sensação avassaladora percorrer todo o seu corpo. Ser um cavalheiro por muito tempo... às vezes dava vontade de deixar de ser.
Naquela noite, quando tudo terminou, o ponteiro do relógio já havia dado uma volta completa de uma hora. Lília sentia a mão dormente, sem sensibilidade, e sua mente estava confusa, com um pensamento rondando: o tempo... por que estava durando cada vez mais?
Se ele não tivesse levado a Maia o tempo todo, talvez ela não tivesse ganhado esse prêmio! Vicente sorriu e balançou a cabeça. — Não tem nada a ver comigo, a Maia é que tem um talento natural e é muito esforçada. Ela é a criança mais fácil de cuidar e mais talentosa que eu já vi!
— O que você diz é lei! — Lília estava de ótimo humor e não ia discutir. Soltou Vicente e disse: — A Maia deve estar com meus pais, provavelmente ainda não sabe de nada. Quero voltar e contar pessoalmente para ela!
— Tudo bem, eu te levo.
Lília assentiu e pediu a Ramon Pinheiro para partir logo. Ao chegarem em casa, Maia tinha acabado de tomar café e estava brincando com um quebra-cabeça no tapete da sala.

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