Depois do elogio, a expressão de Lília Andrade tornou-se um pouco preocupada.
— Quem dera eu fosse tão incrível quanto você.
— Ser lida de repente foi assustador. Fiquei com o coração na mão enquanto os tratava, sem ousar ter qualquer pensamento aleatório.
Vendo a cara de sofrimento dela, Vicente Freitas riu levemente, puxou-a para seus braços e disse suavemente:
— Não precisa ter medo. Na próxima vez, direi a ele para não usar essa habilidade em você.
Lília Andrade ficou surpresa:
— Dá para controlar essa habilidade?
Vicente Freitas não conteve o riso e disse:
— Claro que sim. Se não pudesse controlar, ele seria forçado a ouvir os pensamentos de todo mundo na rua sempre que saísse!
— Se fosse assim, o General Enrico teria enlouquecido!
— Você deve ter visto que ele usa aparelhos auditivos.
— Isso foi uma sequela causada por não conseguir controlar o poder quando era jovem!
Lília Andrade não imaginava que houvesse essa questão.
Sentiu compaixão e admiração.
Ao mesmo tempo, suspirou aliviada:
— Ainda bem que agora ele controla, senão seria aterrorizante!
Após entender a habilidade do General Enrico, Lília Andrade não fez mais perguntas.
Apenas repassou mentalmente a organização e a coleta dos dados clínicos de hoje e o tratamento futuro.
Vicente Freitas observou a seriedade dela e não a interrompeu.
Em vez de provocá-la, ele preferia ver Lília Andrade assim, focada no trabalho.
Ela talvez não soubesse, mas quando estava imersa no trabalho, aquela postura confiante e competente era impossível de ignorar...
Vicente Freitas mudou para uma posição mais relaxada, apoiando a cabeça na mão, observando-a com apreço.
Até o carro parar no Flor do Rio, Lília Andrade ainda não tinha voltado a si.
Vicente Freitas bateu levemente na janela para alertá-la:
— Dra. Paz, chegamos em casa.
— Ah? Ah, sim...
Ao ouvir isso, Lília Andrade retomou seus pensamentos, deixou o trabalho de lado e desceu do carro com Vicente Freitas, entrando no pátio.
A noite no Flor do Rio tinha uma beleza silenciosa e pacífica.
Ao lado do caminho sinuoso de seixos, as luzes brilhavam, e uma brisa suave soprava.
O vento fazia a árvore de folhas douradas farfalhar ao longe.
Lília Andrade sentiu o frescor no ar.
Ela olhou para cima, observando as folhas que começavam a mudar de cor, e disse a Vicente Freitas:
— O tempo esfriou. Quando nevar, será que veremos o chão coberto de folhas douradas?
Vicente Freitas também olhou para a árvore e disse:
— Talvez vejamos antes da neve.
As folhas sussurravam.
Os dois desfrutaram daquele momento de paz sob a árvore!
Só quando o beijo terminou é que Vicente Freitas a levou para dentro de casa.
Nos dias seguintes, Lília Andrade viajou quase diariamente entre a zona militar e o Flor do Rio.
A equipe de habilidades especiais era pequena, mas eles tinham muitas tarefas e nem sempre podiam voltar no horário marcado para o tratamento.
Lília Andrade teve que elaborar planos de recuperação exclusivos baseados na condição física de cada um.
Entre a acupuntura e a preparação de remédios, ela ficou extremamente ocupada.
No final, Lília Andrade não aguentou mais e teve que chamar Hugo Alves para ajudá-la no instituto.
Lília Andrade não contou a ele sobre a unidade de habilidades especiais, apenas pediu que ajudasse a manipular os medicamentos.
Isso não envolvia os segredos da unidade.
Hugo Alves, sabendo que ela precisava de ajuda, correu logo cedo, muito feliz em ser útil.
Embora Lília Andrade ainda não tivesse aceitado formalmente seu pedido para ser aprendiz, ela não o tratava mal.
Ao voltar, ela lhe deu vários livros antigos que só existiam no Grupo Auge Medical.
Mesmo não sendo o conteúdo central do Grupo Auge Medical, Hugo Alves aprendeu muito com eles.
Ele ficou ainda mais determinado a se tornar aprendiz de Lília Andrade.
Por isso, ao ser chamado para trabalhar, ficou radiante!
Seu entusiasmo e proatividade não perdiam para aquela esponja amarela do fundo do mar.

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