O Mestre levou-a novamente para uma consulta externa, para tratar de um doente.
Desta vez, a origem do paciente ainda não era comum.
Lília Andrade só soube ao chegar que se tratava de uma família literária de prestígio extremamente forte na Cidade Capital — a família Duarte.
A paciente que precisava de tratamento era conhecida como Dona Molly.
Ela era uma calígrafa muito famosa da atualidade; qualquer obra sua podia alcançar dezenas de milhões, ou até centenas de milhões, em leilões!
E contando dezoito gerações acima da família dela, cada geração produziu pessoas famosas.
Os ancestrais, nos tempos antigos, chegaram a servir como conselheiros do Império.
Na Cidade Capital, ninguém ousava subestimar uma família literária assim.
Realmente, a tradição dessa família, bem como a enorme rede de contatos, eram inalcançáveis para muitos.
Muitas famílias ricas ansiavam que Dona Molly aceitasse seus filhos como aprendizes.
Lília Andrade ficou ligeiramente surpresa.
Mas pensando bem, sendo paciente do Mestre, não era estranho.
As consultas que o Mestre aceitava incluíam todo tipo de figurão.
Assim como Ezequiel Vergara, Dona Molly também sofria de uma doença crônica.
Após o diagnóstico, Lília Andrade confirmou que era asma, e que também precisaria de aplicação contínua de agulhas e medicação.
O Mestre deixou o tratamento totalmente nas mãos dela, ficando ao lado apenas observando tranquilamente.
Dona Molly não questionou a habilidade médica de Lília Andrade, mas vendo o jeito relaxado do Mestre, não resistiu e soltou uma crítica: — Seu velho teimoso, tão cedo assim e já está lavando as mãos?
— Jogar todo o trabalho para a aprendiz, você não tem vergonha?
O Mestre disse com convicção: — Vergonha de quê? Discípulos servem é para serem usados!
Dona Molly balançou a cabeça. — Quanto mais velho você fica, mais preguiçoso se torna!
Lília Andrade não tinha intimidade com ela.
Mas ouvindo o diálogo dos dois, não pôde deixar de ficar curiosa.
Pelo tom, parecia que se conheciam muito bem?
E, olhando, a relação parecia não ser comum...
Lília Andrade aproveitou e perguntou: — Dona Molly conhecia meu Mestre antigamente?
Dona Molly teve uma boa impressão dessa jovem.
Ela olhou com carinho para Lília Andrade e disse: — Quando eu era jovem, houve um tempo em que minha saúde estava muito ruim. Naquela época, os mais velhos da família me enviaram para o Grupo Auge Medical para me recuperar.
— Foi nessa época que conheci seu Mestre.
— Naquele tempo, ele era jovem, mas já era um velho antiquado, uma cabeça-dura que dava raiva só de olhar, hum!
Ao dizer isso, Dona Molly ficou inexplicavelmente chateada.
O Mestre, lembrando-se das coisas do passado, ficou com uma expressão sem graça e sorriu amargamente.
Lília Andrade ficou ainda mais curiosa e não pôde deixar de olhar de um para o outro.
Por fim, o Mestre não aguentou os olhares inquisidores, levantou-se bruscamente, tossiu duas vezes e disse: — O ar aqui está meio abafado, vou dar uma volta lá fora.
Dito isso, saiu sem nem olhar para trás.
Qualquer um podia ver que, em suas costas, havia um certo ar de fuga.
Lília Andrade balançou a cabeça e só pôde continuar aplicando as agulhas em Dona Molly.
Se fosse isso, então esse sentimento dela seria profundo demais, não?
Parecendo perceber o que Lília Andrade estava pensando, Dona Molly disse sorrindo: — Depois de voltar do Grupo Auge Medical, eu de fato esperei por ele alguns anos.
— Mas acabei não esperando mais.
— A juventude de uma mulher é tão curta, e eu não sou tão teimosa assim.
— Quando acumulei decepção suficiente, obedeci aos arranjos da família e me casei.
— Como não queria que falassem, o casamento foi muito simples e discreto, então quase ninguém de fora soube.
— Só que a felicidade não durou muito; alguns anos depois, meu marido faleceu de doença.
— A saúde dele sempre foi frágil, mas era uma pessoa muito boa; depois de casados, sempre nos tratamos com respeito mútuo.
— Depois que ele partiu, não tive vontade de me unir a mais ninguém, então continuei sozinha.
Lília Andrade percebeu pelas palavras que ela e o marido se respeitavam, mas provavelmente não havia amor romântico.
Depois que ele faleceu, ela também não foi procurar o Mestre.
Provavelmente, foi também o amor-próprio e o orgulho dela que não permitiram que ela olhasse para trás.
Lília Andrade não pôde deixar de pensar que, se naquela época o Mestre tivesse realmente ido procurá-la, talvez os dois tivessem alguma chance.
A gentil e elegante Dona Molly à sua frente poderia muito bem ser a esposa do seu Mestre.
Dona Molly, por sua vez, foi desapegada: — Enfim, não há necessidade de mencionar coisas do passado. Fale de você, como foi que ele te aceitou como aprendiz?
Lília Andrade, vendo que ela queria ouvir, contou tudo detalhadamente.
O processo do tratamento era monótono e entediante; conversar para passar o tempo era bom.

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