Lília desligou o telefone, sentindo-se aliviada por saber que Isabel não estava sozinha.
Na manhã seguinte, a rotina seguiu seu curso. Lília deixou Maia na escola e foi para o instituto.
O clima no laboratório estava estranhamente silencioso. Amanda Lacerda estava em sua mesa, com olheiras profundas, encarando a tela do computador com um olhar vidrado.
Quando Lília passou, Amanda nem levantou a cabeça. Parecia estar imersa em pensamentos sombrios.
Lília não se importou. Desde que o trabalho fosse feito corretamente, a vida pessoal de Amanda não lhe dizia respeito.
No entanto, por volta do meio-dia, uma notícia começou a circular nos grupos de mensagens da empresa.
"Vocês viram? Parece que a família Nascimento vai anunciar uma parceria estratégica com um investidor misterioso."
"Dizem que é para tentar recuperar o status de elite."
Eason Nascimento, que estava na copa pegando café, ouviu os boatos e franziu a testa. Ele não sabia de nada disso. Ligou para casa, mas ninguém atendeu.
Amanda Lacerda, ao ouvir os sussurros, esboçou um sorriso imperceptível e cruel. O plano de Alice Sanches estava começando a se mover.
Enquanto isso, na mansão de Guilherme Lacerda, a situação era deplorável.
Lívia Rocha estava sentada na cama, com o corpo dolorido e o olhar cheio de ódio. Guilherme já tinha saído para "fechar negócios", deixando-a trancada.
Ela olhou para o próprio reflexo no espelho. As marcas roxas em seu pescoço eram visíveis.
— Ronaldo... Lília... — ela sussurrou os nomes como uma maldição. — Tudo o que estou sofrendo, vou fazer vocês pagarem em dobro.
O telefone dela tocou. Era um número desconhecido.
— Alô?
— Sra. Rocha? Aqui é da recepção da escola — a voz do outro lado era formal. — Precisamos que a senhora venha buscar seu filho, Caio. Ele... teve um comportamento agressivo com outra criança.
O coração de Lívia gelou. Se Guilherme soubesse que ela precisava sair para resolver problemas do filho, ficaria furioso.
Mas era Caio.
— Estou indo — disse ela, desligando.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou ele, ignorando completamente Caio atrás dela.
— O que EU estou fazendo aqui? — Lívia riu histericamente. — Eu vim buscar meu filho! O filho que VOCÊ abandonou!
Maia, assustada com os gritos, escondeu-se atrás das pernas de Ronaldo. Aquele gesto instintivo foi como uma facada no peito de Lívia.
— Não faça cena aqui — Ronaldo disse baixo, mas com autoridade. — Você está assustando as crianças.
— Assustando? — Lívia avançou. — Você não sabe o que é susto, Ronaldo. Mas vai saber. Ah, vai saber.
Antes que a confusão aumentasse, os seguranças de Vicente, que estavam sempre por perto, aproximaram-se discretamente.
Ronaldo percebeu e, não querendo causar mais problemas para Maia ou para si mesmo diante dos homens de Freitas, pegou o celular.
— Vou embora. Mas Lívia, se você usar o Caio para atingir a Maia novamente, não terei piedade.
Ele virou as costas e saiu, sem olhar para trás.
Lívia ficou ali, tremendo de ódio, enquanto Caio observava as costas do pai se afastando, gravando aquela imagem de rejeição em sua mente infantil.

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