— Felizmente, a cunhada tem o Vicente para protegê-la.
Ao ouvir isso, o olhar de Mateus Nogueira ficou distante por um momento, lembrando-se da imagem de Lília ao lado daquele homem.
Daniel notou e mudou de assunto, perguntando a Mateus:
— Presidente Nogueira, quanto tempo pretende ficar na Capital desta vez?
Mateus recolheu seus pensamentos e respondeu secamente:
— Cerca de... dois meses.
"Tanto tempo?" Daniel pensou, desconfiado de que ele estivesse ali por causa da cunhada. Mas Lília e Vicente já estavam juntos.
Como se adivinhasse o pensamento de Daniel, Mateus acrescentou a contragosto:
— A N.Z Tecnologia expandiu uma nova equipe. Por alguns motivos, não podem ir para a Cidade R agora. O projeto está numa fase crítica e precisa de supervisão, então organizei para trabalharem temporariamente no Grupo Nogueira daqui.
O tom dele era rígido.
Daniel o avaliou e depois sorriu. Tinha julgado mal; viu em Mateus uma franqueza de cavalheiro, nada parecido com Ronaldo Silva. Além disso, se Vicente aceitava Mateus, e Lília mantinha a parceria, ele devia ser boa pessoa.
Daniel riu, abraçando o ombro de Mateus com entusiasmo:
— Ficar mais tempo é bom, dá para aproveitar as paisagens da Capital depois do trabalho. Antes não tivemos chance de nos conhecer bem. Se você é amigo da minha cunhada, é nosso amigo também. Como anfitrião, vou cuidar bem de você. Vamos beber juntos! Amigo, um brinde a você!
Daniel teve que sair mais cedo por causa de um compromisso, mas deixou combinado:
— Na próxima vamos tomar umas bebidas!
— Vai lá, cuidado no caminho! — Isabel acenou.
Quando o carro dele sumiu, ela se virou para o silencioso Mateus Nogueira e não aguentou:
— Você vai ficar tanto tempo por causa da Lília? Ainda não desistiu dela?
Mateus sentiu-se irritado, como se todos focassem nisso. Acendeu um cigarro, tragou profundamente e soltou anéis de fumaça branca.

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