— Nos últimos dias, aquele tal de Silva foi até a porta da escola tentar se aproximar da Maia, mas meus homens perceberam antes. Tenho feito com que tragam a Maia pela saída dos fundos. O fato de mãe e filho estarem na creche hoje, temo que não esteja desconectado dele.
— O quê?
Ao ouvir que Ronaldo Silva ousou ir à escola procurar Maia, o rosto de Lília fechou. Ela achava que tinha sido clara o suficiente naquele dia. Não esperava que Ronaldo fosse tão sem vergonha! Estava decidido a não deixá-las em paz, perturbando a vida de Maia mesmo que isso a machucasse?
Lília cerrou os punhos de raiva.
Vicente, vendo que ela cravava as unhas na própria pele, pegou sua mão e abriu seus dedos suavemente, acariciando-os.
— Não se preocupe, não vou deixar que ele veja a Maia. E, mesmo se visse, acho que não precisamos nos preocupar tanto.
Lília, acalmando-se com o toque dele, perguntou:
— Como assim?
Vicente, com um brilho de riso nos olhos, disse:
— Maia, na verdade, sempre foi uma criança muito inteligente. O estado psicológico dela não é mais como antes. Ela odeia aquele menino porque já foi intimidada por ele, então tem uma reação de estresse. Quanto ao tal de Silva... você acha que a Maia realmente esqueceu sua origem?
Como psicólogo de topo, Vicente entendia a mente humana melhor que ninguém, ainda mais a de uma criança simples.
Lília olhou para ele, chocada. Isso significava... que a pequena nunca tinha esquecido quem era seu verdadeiro pai?
Vicente riu levemente, esclarecendo:
— No início, ela sofreu um trauma e criou um mecanismo de fuga. Pacientes assim costumam usar auto-sugestão para se forçarem a desistir. O mundo da criança é simples: o tal de Silva não a quis, então ela naturalmente também não o quer. Apenas isso.
Lília mordeu o lábio, sentindo um turbilhão de emoções. Ela se preocupava tanto que a falta de um lar completo afetasse a filha, mas a pequena era mais resolvida que a mãe.
— Quando você percebeu isso? — perguntou ela.
— Ainda na Cidade R, eu já desconfiava — respondeu Vicente, com o olhar suave.
Lília ficou boquiaberta por um tempo antes de dizer:
— Então... você foi "adotado" por ela desde cedo? Forçado a ser pai?
Lembrando-se de tudo, Lília sentiu-se um pouco culpada. Vicente, porém, não se importava.
— Investigue como aquela tal de Rocha veio parar na Capital.
— Sim, senhor!
Na manhã seguinte, Lília temia que Maia não quisesse ir à escola, mas a menina estava comportada como sempre.
— Maia não está mais com medo? — perguntou Lília.
— O papai disse que vai me proteger, então não tenho medo! — respondeu a menina sorrindo.
Vicente olhou satisfeito. Lília riu silenciosamente e tocou o nariz da filha.
— Nossa Maia é muito corajosa. Confiar no papai é o certo! — Ela beijou a bochecha da menina. — Vamos colocar a mochila, eu e o papai vamos te levar.
— Uhum!
Depois de deixar Maia e levar Lília ao instituto, Ramon relatou o resultado da investigação:
— Lívia Rocha, sem opções na Cidade R, encontrou um empresário rico daqui, Guilherme Lacerda, da família Lacerda. Mas é uma família decadente, nem de terceira linha. E Guilherme é um velho quase careca de cinquenta anos, conhecido por perversões. Já teve duas esposas que se divorciaram por não aguentarem suas bizarrices. Ele paga bem às amantes, mas nenhuma dura muito...

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