Amanda Lacerda, que estava cheia de raiva, paralisou ao ouvir a sugestão.
— Derrubá-la? O que você quer dizer com isso?
Alice Sanches, vendo que ela não refutou, disse com um tom sugestivo:
— Ela não está vigiando seus erros? E se... o erro fosse dela? Nesse caso, o que você acha que ela teria a dizer?
A insinuação de Alice já era óbvia.
Ela ainda receava que Amanda fosse covarde demais para agir. Então, continuou:
— Amanda, você corre atrás do Eason Nascimento há muitos anos, não é? Quantos anos dura a juventude de uma mulher? Outras mulheres na sua idade já são mães de vários filhos. E você? Teve algum resultado com ele? Vai se contentar em continuar desperdiçando tempo assim? Se continuar adiando, já pensou que pode acabar ficando para titia?
Ela seduzia pelo telefone:
— Se você trabalhar sinceramente para mim, posso apoiar a família Nascimento e, de quebra, ajudar você a conversar com os anciãos da família dele sobre o casamento de vocês. Você sabe o quanto a família Nascimento é obcecada em recuperar seu prestígio na elite. Se você vai conseguir entrar para a família Nascimento ou não, agora só depende de você.
Suas palavras eram como sementes de tentação; uma vez plantadas, era difícil abandonar a ideia.
Pelo menos, Amanda Lacerda ficou balançada.
Porque Alice não estava errada.
Ela já tinha passado dos trinta, um terço da vida já se fora. Desde o primeiro ano da faculdade, quando viu Eason pela primeira vez, apaixonou-se por ele. Correu atrás dele amargamente por todos esses anos.
Vendo a idade avançar, iria ela acabar sozinha? Ela não queria! Não se conformava!
A proposta de Alice era excelente. Se o esforço direto com Eason não funcionou, ela tentaria pela via da família Nascimento. Ela precisava garantir um futuro para os dois!
Amanda tomou sua decisão instantaneamente e disse a Alice sem hesitar:
— Senhorita Alice, eu aceito te ajudar.
Alice Sanches, ouvindo a resposta desejada, sorriu satisfeita:
— Então aguardo suas boas notícias.
Ao desligar o telefone, um sorriso presunçoso cruzou o rosto de Alice.
"Lília Andrade, me aguarde! Minha vingança está apenas começando!"
Lília Andrade mal sabia que já estava na mira de duas pessoas rancorosas.
De volta ao instituto, o trabalho a mantinha ocupada demais para pensar em outra coisa. Felizmente, desta vez não era uma pesquisa em regime fechado.
— Por que está tão cansada? Nem quando estava em regime fechado te vi tão exausta.
Lília lembrou-se dos problemas no instituto e sentiu um peso. Mas ao sentir o cheiro agradável de pinho vindo do homem ao lado, a tensão começou a se dissipar. Parecia que, diante de alguém que se importava, as emoções ruins eram facilmente amplificadas.
Antes, Lília achava que dava conta de tudo sozinha. Mas ao ouvir a preocupação dele, sentiu aquela vontade de choramingar.
— O que aconteceu? Me conta, hum?
Vicente levantou a mão e tocou levemente a bochecha inchada dela.
Lília então contou sobre as provocações de Amanda Lacerda.
Se fosse antigamente, ela não reclamaria com ninguém, apenas digeriria as emoções negativas em silêncio. Mas depois de ficar com Vicente, sabia que se escondesse, ele ficaria preocupado.
Então desabafou:
— Diz para mim, como pode existir alguém tão irracional? O erro foi dela, e ela não só não se culpa, como banca a justiceira e tenta me obrigar a pedir desculpas. Perdeu completamente a noção de certo e errado! Eu, prezando pela seriedade e responsabilidade no trabalho, exigi que ela não errasse mais e não trouxesse emoções pessoais para o profissional. Qual o problema nisso? Ela sabe que um erro em uma etapa pode fazer todo o projeto fracassar. Se fosse só perder o tempo do nosso grupo, tudo bem, mas se atrasar a entrega para a chefia e formos punidos, o que faremos?
Um lugar como o Instituto Nacional de Pesquisa queimava verba em uma velocidade assustadora. Um erro causaria prejuízos enormes que talvez eles não pudessem arcar!
Essa Amanda Lacerda era simplesmente sem noção!

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