Enquanto Lília Andrade estava atônita, a voz sorridente de Vicente Freitas soou:
— Acordou?
A voz do homem era grave e agradável. Lília Andrade voltou a si abruptamente, desviando o olhar, envergonhada.
— Eu... acho que adormeci sem querer ontem à noite.
Os lábios de Vicente Freitas se curvaram levemente.
— A culpa é minha. Acabei dormindo e não a deixei ir.
Lília Andrade não se importou muito com isso, apenas perguntou com preocupação:
— Dormiu bem ontem à noite?
Ela mesma havia adormecido e não prestara atenção. A expressão de Vicente Freitas, no entanto, parecia bastante satisfeita.
— Muito bem. Graças à sua essência e ao seu óleo, tive uma noite de sono rara e tranquila.
Lília Andrade ergueu o olhar para ele novamente e, vendo que ele parecia realmente revigorado, sem o cansaço do dia anterior, sentiu-se aliviada. Levantou-se da cama, arrumou o edredom e disse:
— Então, termine de se arrumar. Eu vou voltar para me lavar também. Dona Amanda já deve ter preparado o café da manhã.
Dizendo isso, Lília Andrade se preparou para sair. No entanto, ao passar por Vicente Freitas, o homem a puxou de volta.
— O que foi? — Lília Andrade o olhou, confusa.
Vicente Freitas largou a toalha, seus olhos amendoados se curvaram, e ele se inclinou em direção a ela. Antes que Lília Andrade pudesse reagir, ele depositou um beijo suave em sua testa. Com uma voz suave e baixa, ele disse:
— Ainda não te dei bom dia.
As bochechas de Lília Andrade coraram instantaneamente. Ela cobriu a testa com as mãos, recuou dois passos e disse:
— Eu ainda não lavei o rosto!
Vicente Freitas riu, parecendo muito satisfeito.
— Não tem problema, eu não me importo. Vá, vou secar o cabelo.
— Ah...
Lília Andrade, hipnotizada por seu sorriso, saiu do quarto em um estado de torpor. Ao voltar para seu próprio quarto, sua mente ainda estava confusa. Ela havia descoberto que o frio e ascético Vicente Freitas, quando se apaixonava, também se tornava proativo. E, daquela forma, ele era realmente difícil de resistir. Apenas um simples beijo de bom dia a deixava com o coração acelerado, fazendo-a lembrar-se da paixão arrebatadora da noite anterior. Se continuasse assim, que resistência ela teria contra ele?
Quanto mais Lília Andrade pensava, mais sentia o rosto queimar. Ela rapidamente jogou água fria no rosto. Só depois de um tempo seu coração agitado se acalmou.
Vinte minutos depois, Lília Andrade, já arrumada, desceu e viu Vicente Freitas já no andar de baixo, conversando com Maia no jardim. Ela se aproximou e perguntou curiosa:
— Não tem problema. Maia é tão adorável, ela pode ter o que quiser.
— Uau! — Ao ouvir isso, a pequena abraçou o pescoço de Vicente Freitas com alegria. — O papai é quem mais me ama! — Em seguida, deu-lhe um beijo estalado e macio na bochecha.
Vicente Freitas apertou suavemente sua bochecha, pegou a menina no colo e disse a Lília Andrade:
— Vamos, vamos tomar o café da manhã.
— Sim, sim! — Maia assentiu com a cabeça.
Lília Andrade os seguiu para dentro. Naquela manhã, Dona Amanda havia preparado um café da manhã farto. A princípio, ela não havia notado, mas ao observar Lília Andrade e Vicente Freitas comendo, percebeu que algo estava diferente. Insegura, observou-os novamente.
Descobriu que, durante a refeição, a interação entre eles era bastante frequente. O Sr. Freitas servia um salgado para a Srta. Lília, e a Srta. Lília servia um para ele. Não era apenas uma questão de cortesia. O ar entre os dois parecia inexplicavelmente carregado de uma doçura.
Antes, na Cidade R, embora a atmosfera entre eles já tivesse um certo clima, os dois ainda mantinham uma certa distância, e nunca havia acontecido de um servir comida para o outro. *Eles... estão juntos?*
Ao perceber isso, o rosto de Dona Amanda se iluminou de alegria; ela parecia mais feliz que os próprios envolvidos. Em sua opinião, os dois combinavam perfeitamente. *Não foi fácil, mas finalmente se acertaram!*
Lília Andrade não notou a expressão de Dona Amanda. Após o café da manhã, Vicente Freitas se preparou para sair. Antes de partir, ele recebeu uma ligação. Ao desligar, virou-se para Lília Andrade com um olhar de desculpas.
— Esta noite, talvez eu não consiga vir. Terei que fazer uma viagem de negócios curta e inesperada. Volto depois de amanhã.
— Tão de repente?

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