— Fico feliz por ter herdado a bondade da minha mãe. Tenho vergonha do sangue da família Rodrigues!
Uma única frase fez o rosto do vovô Rodrigues perder a cor.
Ele sabia que alguns erros, uma vez cometidos, eram difíceis de serem perdoados.
Tal como o velho Freitas disse naquele dia, este neto não estava disposto a perdoá-lo.
O vovô Rodrigues respirou fundo, virou-se e saiu da casa de Daniel.
Sua figura pelas costas vacilou, e a pessoa inteira pareceu envelhecer mais de dez anos em um instante.
Ao entrar no carro, ele quase não conseguiu se equilibrar. O motorista se assustou e correu para amparar o velho.
— Cuidado, senhor.
Após ajudar o velho a entrar no carro, o motorista ergueu os olhos e só então percebeu que os olhos do vovô Rodrigues estavam vermelhos e as lágrimas tremiam. Ele parecia muito deprimido.
O motorista ficou atônito e perguntou um pouco desamparado: — Senhor, o que aconteceu com o senhor?
O vovô Rodrigues limpou as lágrimas, olhou para a mansão iluminada e disse: — Eu só estava pensando que, nesta vida, o que a família Rodrigues deve àquela criança nunca poderá ser pago.
Por que eu... não o tratei um pouco melhor antes?
O motorista não soube como responder a isso.
Dentro da mansão.
Daniel olhou para o documento sobre a mesa, não tocou nele, e sim olhou pela janela para o carro lá embaixo que ainda não tinha partido, sentindo-se da mesma forma desconfortável.
Ele não foi tão despreocupado como demonstrou.
Em seu coração, também era uma tortura.
No passado, ele se importava muito com esse avô.
Desde pequeno, a família Rodrigues não gostava dele. O Rafael Dourado estava sempre zombando dele e, quando os criados da casa viam isso, não ousavam interferir, concordando com as intimidações.

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