Ela era apenas uma pausa entre ele e o encontro com a mulher que amava. Gregório encontrou um tempinho para lidar com ela; até mesmo a beleza dos fogos de artifício não passava de restos do encontro com Dulce.
Celeste pensou, com um sorriso irônico.
Será que Gregório dava conta de tudo isso?
Sua habilidade de gerenciamento de tempo era digna de aplausos.
Dizer que estava lá para celebrar o aniversário dela era só uma fachada bonita.
Se ela tivesse acreditado que a intenção dele era sincera.
Certamente seria deixada de lado na metade da noite, enquanto ele ia ao encontro de Dulce.
Felizmente.
Ela não tinha expectativa alguma desde o começo.
Por isso, permanecia impassível.
— O que você está olhando?
O som de passos veio de trás dela.
Celeste virou a cabeça. Com os olhos ligeiramente semicerrados, Gregório lançou-lhe um olhar antes de fixar a atenção no monitor.
Gabriel não dava sinais de que pretendia ir embora.
Parecia que, enquanto a porta não fosse aberta, ele não recuaria.
Dentro e fora do quarto. Assim que aquela porta se abrisse, a situação mudaria drasticamente.
Após ponderar com cautela, Celeste disse sem rodeios:
— Esconda-se. Vá para o quarto e fique lá por um tempo.
Ela não queria ter que lidar com a exposição do "casamento" logo após o divórcio.
Sra. Souza? Ela já não era mais.
A partir dali, o melhor era que não houvesse mais laço algum entre eles.
O tom de Celeste foi tão sereno.
E tão cheio de convicção, que Gregório teve uma estranha ilusão.
A de que ele era o amante que ela mantinha escondido.
Os olhos profundos dele a encararam por um longo tempo.
Celeste não era cega àquela pressão opressiva; ela sabia muito bem que, com seu status tão elevado e arrogante, Gregório jamais suportaria tamanha "humilhação".
Apontando para o monitor, ela argumentou de forma racional:
— O seu docinho de coco está ali fora. Se ela nos vir juntos, vai ficar magoada por um bom tempo, e consolá-la não será nada fácil. Além disso, tenho certeza de que você não quer que o Gabriel descubra que ela tomou o lugar da própria cunhada.
Ademais.
Dulce e Gregório tinham um encontro para aquela noite.
Ela se recusava a levar a culpa caso eles brigassem por causa daquilo.
Gregório lançou um olhar cortante para o rosto dela, que apenas relatava os fatos friamente.
— Você se preocupa bastante comigo.
Ele soltou, em um tom inexpressivo.
E não fez o menor movimento para se afastar.
E bem a tempo de ver Gregório enviar uma mensagem no WhatsApp para alguém.
Do lado de fora.
Dulce abriu um sorriso instantâneo e caminhou para longe.
Celeste já nem tinha mais curiosidade em saber sobre o que eles conversavam. Apertando contra o peito a caixa com o Cadeado Eterno, ela declarou:
— Eu cuido da avó. Não se preocupe, pode ir embora.
Ela nem sequer se deu ao trabalho de conferir a expressão de Gregório.
Apenas voltou ao quarto principal e fechou a porta com chave.
Nada mais importava naquela noite. Para ela, o único fator relevante era que o dote de sua avó finalmente havia retornado às suas mãos.
Embora não compreendesse como Dulce havia consentido em abrir mão da joia, o mais provável era que a mulher já estivesse farta dela. Somente assim Gregório a teria devolvido, como quem descarta lixo.
Celeste segurou o item na palma das mãos como o mais valioso dos tesouros.
Naquele exato instante.
O relógio marcou nove e treze.
Lá fora, chamas coloridas dispararam para o alto e o céu noturno iluminou-se como se fosse dia.
Celeste observou em silêncio por alguns segundos.
Em seguida, usou o controle remoto para fechar as cortinas, isolando-se daquela esplêndida queima de fogos.
Ela não se contentaria com as sobras do afeto de terceiros.
Muito menos queria dividir um momento de admiração com aquele casalzinho apaixonado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Gregório tem que sofrer correndo atrás da Celeste pra aprender uma lição 😒...
Passou da hora da Dulce quebrar a cara e Gregório ver a burrada que fez, dando apoio total para o chupim Dulce...
Quero ver se a autora vai dar um final feliz para esse embuste do Gregório. Quero ele sofra horrores e acabei na sargenta....
Não aguento mais ver a Celeste passar por tanta humilhação. Alguém quebre as pernas do Gregório, por favor; mesmo que tenha um motivo para ele agir assim, já passou dos limites. Fora que demora demais a atualização, por parte do autor....
Seria muito bom ela encontrar a família e não querer esse Gregório...
Até quando Gregório vai financiar a amante e menosprezar a ex esposas? Passou da hora da amante e Gregório caírem com a cara no chão...
Ela repete o mesmos pensamentos várias vezes. E o mais incrível u.a é prisioneiro e o outro é livre, no final ele teve um motivo muito importante para agir assim e vai querer compensar tudo....
Essa personagem é humilhada apor bens materiais....
Eu adoro histórias assim que a autora humilha a personagem principal por todo história para no final o homem estar apenas sendo enganado ou protegendo ela e acaba perdoado, ainda d põem alguém da família pra ajudar na humilhação, fica o romance perfeito!...
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...