Celeste voltou a se sentar.
A porta se abriu.
Ao ver os dois adultos e a criança entrarem como se fossem uma família de três, seu rosto permaneceu impassível.
Que interessante.
Com tantos médicos disponíveis, tinham que vir logo a ela.
Queriam que ela os elogiasse?
Dizer "Que amor lindo"?
Quando Dulce viu que era Celeste, perguntou:
— Por que é você? Não era um especialista veterano?
Celeste colocou sua máscara e respondeu:
— Estou cobrindo um turno. Se não quiser ser atendida, saia. Se quiser, sente-se.
Gregório, segurando a mão de Luana, olhou para ela ao ouvir aquilo.
Celeste, é claro, sabia.
Ele sentiu pena por ela não ter sido gentil com sua amada.
— Luana tem sentido tonturas frequentes ultimamente, queremos ver como a medicina tradicional pode ajudar. — Dulce lançou um olhar de soslaio para Celeste, agindo de forma puramente profissional.
Gregório sentou-se ao lado e acrescentou de maneira compassada:
— Ela tem sentido aperto no peito e falta de ar depois de exercícios, além de inchaço frequente nas mãos e nos pés, e seu rosto costuma ficar vermelho facilmente.
Ouvir Gregório falar com tantos detalhes sobre o filho de outra pessoa.
Considerando cada aspecto com tanto cuidado.
Ele parecia incrivelmente responsável, como se fosse o verdadeiro pai.
A caneta com a qual Celeste anotava os sintomas hesitou por um segundo.
E, ironicamente.
Laura, que era a filha biológica dele.
Nunca pudera experimentar o amor dele.
Ela sabia muito bem.
Se não tivesse escondido a existência de Laura, mesmo que os três vivessem juntos de verdade, Gregório certamente a teria negligenciado junto com a filha. Laura estaria triste todos os dias pela falta do amor e do cuidado paterno.
— Gregório, você será um ótimo pai no futuro, fico tão aliviada. — Dulce sorria radiante, espiando Celeste com o canto do olho.
O celular de Gregório tocou.
Ele se levantou.
— Vou atender a essa ligação.
Dulce sorriu gentilmente:
— Certo, eu continuarei acompanhando Luana na consulta.
Gregório virou-se e saiu da sala, sem olhar para Celeste mais uma vez.
Celeste não levantou a cabeça nem se importou com a indireta de Dulce sobre ter filhos com Gregório.
Ela tomou o pulso de Luana.
Realizou os métodos tradicionais de diagnóstico.
— Obesidade excessiva, síndrome metabólica infantil. Em casos graves, pode evoluir para doenças cardiovasculares. Corte todos os lanches e refrigerantes. Se ela apresentar apneia do sono, precisará ser internada para condicionar o corpo. — Celeste disse com a voz calma.
— Você está mentindo! Sua mulher má, está fazendo isso só para me prejudicar!
Ao ouvir que não poderia comer lanches e beber refrigerantes, Luana explodiu na mesma hora. Pegou a placa de decoração ao lado de Celeste e atirou longe.
A velocidade da menina malcriada era tanta que não deu nem tempo de reagir.
Qualquer item valioso na sala, ela acertava como se escolhesse.
Jogou tudo no chão.
E encarou Celeste furiosa:
— Por que você não disse antes?
O rosto de Celeste ficou frio.
— E você acha que pode deixar essa peste destruir o que pertence aos outros sem a menor consequência?
— Quem você está chamando de animalzinho? — O olhar de Dulce gelou.
Celeste achou o motivo da raiva dela absurdo. Ela apenas acenou com o celular e disse:
— O vídeo já foi gravado. Vá pedir perdão de joelhos ao Dr. Lorenzo.
Ela ignorou a expressão sombria no rosto de Dulce.
Virou-se e saiu da sala de consulta.
Chamou a segurança para vir e resolver a situação.
Depois, montou uma lista dos itens valiosos danificados por Luana e pediu para alguém entregá-la a Dulce.
Ela sabia que Dulce passaria a odiá-la por isso.
Mas, não importava.
Celeste só não esperava que a resposta viria tão rápido.
No dia seguinte.
Ela encontrou Gilmar e Amanda no hospital.
— Papai pode não implicar com você por ter empurrado Dulce e feito ela ofender pessoas. Mas você precisa pedir desculpas a ela. Que tal o seguinte: já que Gregório vai se divorciar de você mais cedo ou mais tarde, passe o Ateliê Lopes de Antiguidades, de que Dulce tanto gosta, para o nome dela. — Gilmar foi direto ao ponto.
O rosto de Celeste mudou:
— O que você quer dizer com isso?
— Esse antiquário será o dote de Dulce quando ela se casar com a Família Souza.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Estou só chorando 😭😭😭😭😭...
Essa autora não tem um pingo de respeito pela Celeste, esmaga até o último resquícios de humanidade dela, só valoriza a amante. Misericórdia dá ódio de ler esses livros onde as amantes tem tudo e anda de cabeça erguida....
Top demais eu nunca li u livro tão bom assim, parabéns autora👏👏👏👏👏...
Meu pressentimento estava correto esse Vinícius não vale nada nem o que o cachorro enterra...
Porque demora tanto a atualizar?...
Por ser um romance,a autora não trás o romantismo,a história não tem um beijo,um abraço.pra mim é uma história sem ápice.Autora dê mais clímax a história....
Que tudo!!!! Esse capítulo autora😎👏👏👏👏👏...
Torcendo pela restauração da família Celeste Gregorio e Laura ❤️❤️❤️...
Não gosto do Vinícius esse cara não me passa confiança que Celeste passe longe dele...
Vai ser uma sacanagem se essa autora mudar a personalidade do Vinicius para ano final dar ela pra o Gregório que claramente é um homem que não apoiou ela nos momentos de maior necessidade como o nascimento da filha, inventa uma situação pra justificar as atitudes dele....