Celeste não conseguia ver a expressão dele com clareza.
Mas sentiu a atitude cheia de propósitos de Gregório.
Ele não estava demonstrando uma preocupação apropriada por causa dos anos de casamento. Até mesmo aquele conforto no momento de necessidade tinha... interesses por trás.
Mesmo que ela não se importasse mais com ele como pessoa.
Celeste ainda assim sentiu o rosto queimar.
— Motivo.
— Já lhe disse que não há câmeras no local do incidente. A polícia não vai conseguir descobrir nada.
A voz de Gregório soou com uma frieza assustadoramente clara na escuridão.
No entanto, Celeste captou a mensagem oculta dele.
— Você acha que eu a empurrei e não quer que esse triângulo amoroso feio venha à tona se o assunto ganhar proporções maiores? Ou você acha que Dulce mentiu e não quer que ela seja investigada pela polícia?
Só poderia ser uma dessas duas razões.
Mas fosse qual fosse...
Ambas a tratavam como lixo, esmagando-a na lama.
Ela nem podia dizer que sentia o coração partido, sentia apenas nojo!
A primeira indicava a falta de confiança de Gregório nela, sua esposa por sete anos. A segunda significava que, mesmo sabendo que Dulce a havia caluniado, ele não se importava; só ligava para a felicidade e a reputação de Dulce.
— O que eu acho é realmente tão importante?
Gregório já havia se acostumado com a escuridão.
Ao abaixar a cabeça, viu o sorriso frio e sarcástico no rosto dela.
Ele levantou a mão, ajeitando atrás da orelha de Celeste o cabelo que havia se soltado com o solavanco.
— Se isso sair do controle, a reputação da Família Souza estará em jogo. Como você vai se justificar para a senhora idosa e para o avô?
O movimento fora tão gentil.
Mas aquelas palavras.
Celeste quase riu alto. A cada respiração, seus pulmões queimavam.
— Para me forçar a recuar, você usa a Família Souza contra mim.
Aquilo não era preocupação com ela sendo repreendida pela Família Souza.
Era apenas uma ameaça disfarçada de doçura!
Gregório não lhe respondeu.
Porque a porta do elevador se abriu.
A luz voltou a inundar o espaço.
Assim que Celeste pôde ver a expressão de Gregório com clareza, ele retirou a mão que envolvia sua cintura e deu um passo para trás.
Afastando-se até uma distância que denotava uma "relação irrelevante", como estranhos mantendo as aparências.
Ainda que o movimento dele fosse sutil.
Celeste o captou.
Havia pessoas reunidas do lado de fora.
Celeste viu membros da equipe da Universidade Imperial ali fora.
No mesmo instante, entendeu por que Gregório havia se afastado.
Ele temia que as pessoas pensassem demais.
Afinal, ele agora era o namorado de Dulce e tinha que manter distância de qualquer mulher, incluindo a esposa da qual ainda não se divorciara.
Um brilho de ironia atravessou os olhos de Celeste.
Celeste lançou um olhar para aquilo e desviou a atenção.
A conexão deles devia ser realmente profunda.
Ela agora compreendia isso muito bem.
Sobre a alteração da formulação de Dulce, todos estavam calados antes de Gregório enviar os mimos. Mas agora, começaram a surgir algumas objeções, defendendo Dulce direta ou indiretamente.
Mas, no fim, foi o responsável da Universidade Imperial quem deu a palavra final, aprovando as alterações de Celeste.
Os testes clínicos eram um processo maçante.
O fato de ela ter ido ao Hospital Central para os testes clínicos chegou aos ouvidos de Lorenzo Costa, pai de David.
Lorenzo, como seu parceiro de estudos e diretor do Hospital Central, mesmo tendo quase trinta anos a mais que ela, ligou imediatamente para lhe passar uma tarefa:
— Uma presa fácil assim a gente não deixa escapar. O departamento de medicina tradicional tem estado uma loucura ultimamente, e eu preciso fazer uma viagem de negócios para outro estado de última hora. Vá lá e cubra o meu turno.
— Eu sou uma mula de carga por acaso? — perguntou Celeste.
— E uma mula teimosa. Seu valor produtivo é altíssimo. — respondeu Lorenzo.
— ...
Certo.
Celeste aceitou seu destino.
A clínica do departamento de medicina tradicional ficava ao lado do centro de testes clínicos, muito perto, o que permitia que ela fosse e voltasse sem problemas.
Celeste atendeu pacientes o dia todo.
Estava tão exausta que via estrelas.
Quase no fim, a enfermeira inseriu mais uma ficha.
— Dra. Lopes, há uma consulta adicionada de última hora. Desculpe pelo trabalho extra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Estou só chorando 😭😭😭😭😭...
Essa autora não tem um pingo de respeito pela Celeste, esmaga até o último resquícios de humanidade dela, só valoriza a amante. Misericórdia dá ódio de ler esses livros onde as amantes tem tudo e anda de cabeça erguida....
Top demais eu nunca li u livro tão bom assim, parabéns autora👏👏👏👏👏...
Meu pressentimento estava correto esse Vinícius não vale nada nem o que o cachorro enterra...
Porque demora tanto a atualizar?...
Por ser um romance,a autora não trás o romantismo,a história não tem um beijo,um abraço.pra mim é uma história sem ápice.Autora dê mais clímax a história....
Que tudo!!!! Esse capítulo autora😎👏👏👏👏👏...
Torcendo pela restauração da família Celeste Gregorio e Laura ❤️❤️❤️...
Não gosto do Vinícius esse cara não me passa confiança que Celeste passe longe dele...
Vai ser uma sacanagem se essa autora mudar a personalidade do Vinicius para ano final dar ela pra o Gregório que claramente é um homem que não apoiou ela nos momentos de maior necessidade como o nascimento da filha, inventa uma situação pra justificar as atitudes dele....