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Nossa! Meu Marido de Aluguel é um Bilionário! romance Capítulo 82

ISABEL LINORES

A escuridão me engoliu de uma vez só. A televisão apagou, o aquecedor morreu e a única fonte de luz que restou foi o brilho fraco, avermelhado e fantasmagórico que vinha das brasas moribundas na lareira.

Fiquei parada no meio da sala, enrolada no meu cobertor xadrez, esperando que a luz voltasse em seguida. Isso era normal em lugares com muita neve, não era?

— Charles? Você achou alguma lanterna aí nas gavetas da cozinha?

Em vez da voz do meu marido, ouvi passos rápidos e extremamente silenciosos se aproximando pelo corredor da cozinha.

Antes que eu pudesse chamar o seu nome novamente, uma mão grande agarrou o meu braço.

— Sou eu.

— Charles! Que susto! O que está acontecendo...

A outra mão dele cobriu a minha boca bruscamente, silenciando as minhas palavras.

— Isabel, preste muita atenção — a voz que sussurrou perto do meu ouvido me fez congelar até os ossos.

Aquele não era o tom do marido carinhoso, atencioso e brincalhão que havia feito amor comigo horas antes.

— Suba as escadas agora — ele ordenou, enquanto me empurrava em direção aos degraus. — Esconda-se no nosso quarto e não faça nenhum barulho. Aconteça o que acontecer, não desça. Você entendeu?

— Charles, por favor, o que...

— Vá! Agora, Isabel!

Soltei a camisa dele, apavorada, e obedeci. Tropecei nos primeiros degraus, engatinhando na escuridão o mais rápido que consegui até chegar ao topo.

Ajoelhei-me no chão frio do corredor do segundo andar, mas, em vez de correr direto para o quarto e me trancar como ele havia mandado, não consegui simplesmente abandoná-lo. Me arrastei de barriga no chão até a grade do guarda-corpo e espiei pelas frestas, olhando para a sala de estar lá embaixo.

A porta da frente foi arrombada com um chute brutal, abrindo-se, trazendo consigo quatro sombras imensas.

Eles usavam roupas escuras. O brilho vermelho da lareira refletiu na superfície de algo metálico que um deles segurava nas mãos. Facas. Talvez armas de fogo. Estávamos sendo assaltados. Iríamos morrer ali, no meio do nada?

Apertei as duas mãos sobre a minha boca para abafar o choro que ameaçava sair. Esperei ouvir Charles gritar, tentar negociar ou implorar por nossas vidas. Era isso que uma pessoa normal.

Mas o que se desenrolou diante dos meus olhos nos segundos seguintes estilhaçou todas as minhas certezas e tudo o que eu achava que sabia sobre o homem com quem eu havia me casado.

Charles atacou.

Ele agarrou o primeiro invasor por trás antes mesmo que o homem percebesse a sua presença. Um movimento de braço rápido, e o corpo imenso do invasor caiu inerte como um saco de batatas.

Os outros três perceberam o ataque. Um deles rosnou um palavrão e avançou no escuro, balançando um pé de cabra ou um bastão de ferro na direção da cabeça do meu marido.

Charles desviou, abaixando o corpo no último segundo. Ele aproveitou o impulso do próprio invasor, agarrou o braço do homem e o torceu em um ângulo antinatural. O grito de dor do invasor foi cortado por um golpe brutal de Charles na base da garganta dele. O segundo homem desabou no chão, engasgando e lutando para respirar.

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