Ela balançou a mão, recusando o café com a desculpa de que "tiraria seu sono".
Fernando assentiu e, com naturalidade, tomou um gole do próprio copo.
— Você acha que tem algo errado com esse grupo?
Vendo que ele mudou de assunto tão facilmente, Vitória engoliu o desconforto e respondeu em voz baixa:
— Tem algo estranho, sim.
— Tipo o quê?
Vitória explicou:
— Considerando a situação familiar da Viviane, o normal seria que ela tivesse uma personalidade bem mais contida, nada chamativa.
— Eu apostaria que ela era uma garota quieta, com tendências à fobia social.
— E a autópsia comprova isso.
A postura de Viviane não era boa. Seus ombros eram curvados para dentro, de forma bem visível.
Provavelmente, ela andava sempre de cabeça baixa, encolhida.
Uma pessoa assim teria medo até de olhar os outros nos olhos. Como ela andaria com uma turma tão barulhenta e de visual tão alternativo?
— Não existe a chance de a personalidade dela ter mudado depois que entrou na fábrica e começou a andar com esse pessoal?
Um policial, coçando o queixo, fez a pergunta.
Mas ao ver Vitória e Fernando virarem o rosto para encará-lo ao mesmo tempo, ele percebeu o que tinha dito e abanou as mãos, sem graça:
— Dra. Vitória, não estou duvidando de você! Foi só um palpite, falei sem pensar.
Vitória deu um sorriso leve ao ver o susto do policial.
— Tudo bem, estamos apenas levantando hipóteses. Eu também posso estar errada.
No passado, Vitória raramente participava da análise de casos. Ela mal dava conta das autópsias e, além disso, os casos costumavam ser simples. Geralmente, assim que o laudo saía, o caso já estava praticamente resolvido.
Mas desde que foi transferida para a força-tarefa especial, suas oportunidades de participar das investigações aumentaram muito.

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