— Que crueldade absurda!
Naquela época, Viviane nem era maior de idade!
O jeito como a oprimiam já era um completo absurdo.
E ainda por cima, cortaram a única rota de fuga que a garota tinha para sair daquela casa.
— Como eram as notas dela?
A respiração de Vitória estava pesada, a raiva fermentando em seu peito.
— Boas, mas não excelentes.
Vitória não se surpreendeu com a resposta:
— É natural. Uma adolescente no auge da puberdade, numa fase super sensível... O pai biológico casa de novo, duas pessoas estranhas entram na casa e ela vira o saco de pancadas da família. O fato de ainda conseguir manter notas boas já é um milagre.
— É verdade. — concordou Fernando. — Quando ela foi obrigada a largar os estudos, a escola tentou intervir. Os professores até tentaram explicar, com muito tetos, que as notas dela só não eram melhores porque ela não tinha tempo para estudar.
— E a madrasta com certeza recusou, não é?
— Sim.
— A madrasta ainda ofendeu os professores na frente de todo mundo. Disse que eles é que não sabiam ensinar e estavam inventando desculpas de que a garota não tinha tempo.
— Ela também humilhou a Viviane em público. Disse que não sabia o que passava na cabeça da garota, que acordava tão cedo e dormia tão tarde e mesmo assim não tinha tempo de estudar, que devia estar no cio, correndo atrás de macho.
Vitória sentiu um nó ainda mais apertado na garganta.
Uma menina de dezesseis anos ser humilhada dessa forma pela madrasta na frente de toda a escola... E mesmo depois de tudo, Viviane ainda continuou focada na ideia de voltar a estudar. Isso provava o quanto ela era determinada. Ela acreditava firmemente que a educação mudaria seu destino.
Mas, pelo visto, foi ingênua demais.
— Ela contou para alguém que tinha conseguido juntar o dinheiro?
Vitória já havia deduzido o motivo do assassinato.
— Sim.
Vitória suspirou pesadamente.

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