— Foi uma funcionária da fábrica.
O olhar de Fernando desceu para o próprio braço.
Os dedos de Vitória Lacerda eram mais longos e finos do que os da maioria das mulheres. Se não olhasse de perto, alguém poderia achar que eram as mãos de um jovem magro.
Por causa do contato constante com produtos químicos, as pontas de seus dedos não tinham uma cor rosada.
E havia uma leve camada de calo nas pontas dos dedos, de tanto segurar o bisturi.
Fernando sentiu o local onde ela o segurava esquentar.
Uma leve corrente elétrica pareceu se espalhar a partir dali.
Seus olhos vacilaram por um segundo, e ele se forçou a desviar o olhar. Sua voz saiu baixa, quase como se tivesse medo de assustá-la:
— O que foi?
Vitória estava tão imersa nos próprios pensamentos que nem percebeu que o rosto do homem à sua frente havia ganhado um leve tom avermelhado.
— É muito estranho. Se essas pessoas não eram amigas da Viviane, por que essa funcionária mentiria e faria a polícia trazer todo mundo para cá?
— A não ser que...
Vitória ergueu os olhos abruptamente, encontrando o olhar de Fernando.
Os dois falaram quase em uníssono:
— Ela está ganhando tempo!
Ao ouvirem as próprias palavras saindo da boca do outro, não perderam um segundo. Giraram nos calcanhares e marcharam para a saída.
— Para a fábrica, agora!
Os outros policiais os seguiram rapidamente. O mesmo policial que tinha questionado Vitória antes estava bem ao lado dela. Vendo todos pegarem as chaves das viaturas, ele pegou as dele também:
— Dra. Vitória, vem no meu carro.
Vitória, por instinto, olhou para Fernando.
Mas viu Fernando com o maxilar travado, abrindo a porta do carro do colega policial e se sentando no banco do passageiro.

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