Antes que pudesse pensar mais a respeito, bateram na porta de vidro.
— Dra. Vitória, já terminou?
Vitória Lacerda respondeu, caminhando rapidamente para a saída:
— Já estou indo.
Como Júlia Rodrigues não estava, outra assistente havia ficado encarregada de auxiliar Vitória na autópsia.
Vitória respirou fundo, pegou seus instrumentos e disse:
— Podemos começar.
...
— E então?
A água da torneira não parava de escorrer. Ao ouvir a voz, Vitória nem levantou a cabeça. Continuou lavando as mãos, e seu tom foi baixo:
— Bate com os resultados preliminares.
— O ferimento fatal foi na cabeça. As bordas da ferida são irregulares e serrilhadas, o que descarta facas ou outros objetos cortantes.
— O tecido subcutâneo foi gravemente danificado, formando hematomas. Há também equimoses arroxeadas ao redor do ferimento, além de vestígios de poeira e terra na superfície da ferida. Tudo indica que a arma do crime foi uma pedra irregular, mas sem pontas afiadas.
— Os outros ferimentos no corpo da vítima foram causados pela mesma arma.
— O que chama a atenção são as marcas de arranhões que encontrei nela. Após a análise, confirmei que foram causadas por unhas. O assassino provavelmente ficou com restos de pele da vítima debaixo das unhas.
— Mas depender apenas disso para encontrar o culpado é difícil. Se acharmos um suspeito logo, talvez possamos prendê-lo e fazer um exame de sangue. Quanto mais o tempo passa, mais difícil será usar esse detalhe para cravar a autoria do crime.
Encostado na parede, Fernando Pereira assentiu.
— O círculo de suspeitos já foi delimitado.
Vitória terminou de lavar as mãos e fechou a torneira.
O som da água parou abruptamente. Ela virou o rosto para Fernando:
— Já delimitaram?

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