A perícia no local já havia terminado, e Vitória planejava pegar carona com qualquer viatura de volta para a delegacia.
Ela mal tinha dado dois passos quando Fernando agarrou seu braço. O homem virou o rosto, com um movimento limpo e uma postura sutilmente dominadora: — Vem no meu carro.
Vitória franziu a testa e resmungou: — Não era você que estava pegando carona comigo esses dias?
Desde quando ele tinha carro de novo?
Fernando fingiu que não ouviu e caminhou direto para o veículo que liderava o comboio.
Vitória foi atrás dele. Assim que os dois entraram e se ajeitaram, Fernando deu a partida.
Os outros policiais também começaram a se movimentar, deixando apenas a equipe de limpeza para trás. As viaturas partiram uma após a outra.
— Você também correu para cá assim que te ligaram?
Vitória lembrou que Fernando tinha sido arrastado por um homem mais cedo: — Então você deu um bolo no seu amigo?
Fernando apertou os lábios levemente: — Pode-se dizer que sim.
— 'Pode-se dizer'?
Vitória olhou para ele, confusa. Mas os olhos de Fernando estavam fixos no trânsito à frente, sem a menor intenção de explicar a história.
Sem escolha, ela deixou a pergunta de lado.
Ao abrir o grupo de trabalho no celular, viu que a ficha da vítima já havia sido enviada. Ela abriu o arquivo e congelou.
— A vítima se chamava Viviane Reis. Tinha dezoito anos.
Ao ouvir Vitória ler em voz baixa, a expressão de Fernando escureceu.
Apenas dezoito anos, a vida inteira pela frente. Ela estava prestes a entrar numa nova fase da vida.
E, em vez disso, o corpo foi jogado como uma boneca de pano rasgada naquela fábrica abandonada.
Os inúmeros ferimentos deixavam claro que a garota havia sido espancada brutalmente. Era fácil imaginar o inferno de dor que ela passou até o último suspiro.
— Que tipo de ódio cego faz alguém cometer uma atrocidade dessas com uma menina tão jovem?

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