Fernando assentiu, concordando com a dedução de Vitória.
Vendo que ele não ia dizer mais nada, ela quebrou o silêncio após um tempo: — Você tem alguma teoria, Fernando?
— Tenho três linhas de investigação até agora. — respondeu ele.
Vitória arregalou os olhos: — Três?
Com base na cena do crime, Vitória não estava totalmente no escuro, mas sabia que, sem a ajuda da tecnologia, achar o assassino não seria tão simples.
E ali estava Fernando, dizendo com a maior naturalidade do mundo que já tinha três caminhos.
— Sou toda ouvidos.
Vitória fixou o olhar no rosto dele, misturando curiosidade e um certo fascínio.
— A primeira é investigar o motivo de ela ter vindo até aqui. Fica claro que ela tinha um propósito e se preparou muito bem para esse encontro.
— Aquele pacote de dinheiro é a maior prova disso. Podemos interrogar a família ou rastrear as mensagens no celular dela. Isso deve nos dizer por que ela veio e com quem marcou de se encontrar.
Os olhos de Vitória brilharam.
Fazia sentido. Como médica legista, ela estava acostumada a partir da cena e do laudo da autópsia, tentando reconstruir a história de trás para frente.
O raciocínio de Fernando era a pura essência de um detetive experiente.
Começar pelas relações pessoais da vítima era o jeito mais rápido de chegar a um suspeito.
— E a segunda linha?
Vendo a sede de conhecimento no olhar dela, Fernando esfregou o polegar e o indicador num gesto quase imperceptível.
— A segunda é seguir o dinheiro.
— As notas têm números de série. Quem levou aquela grana toda, mais cedo ou mais tarde, vai gastar. Rastrear esses números vai dar trabalho, mas é um caminho sólido para achar os culpados.
Fernando não fez mistério e logo emendou a terceira teoria.

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