Vitória hesitou por um segundo: — Isso é você tentando me consolar, Fernando?
Os olhares dos dois se cruzaram: — Você precisa de consolo?
Ela balançou a cabeça, negando.
Fernando pareceu dar uma risadinha abafada: — Então pronto, Vitória. Eu fiz questão de trazer você para a Força-Tarefa porque confio absolutamente na sua capacidade profissional.
— Você deveria confiar em mim, e, principalmente, em si mesma.
O coração de Vitória errou uma batida.
Ela já tinha ouvido palavras de incentivo antes. Mas vindo de Fernando Pereira, aquilo parecia carregar um peso e um significado totalmente diferentes.
Vitória umedeceu os lábios, reprimindo a emoção repentina no peito, e respondeu com um suave 'Uhum'.
Fernando deu uma olhada rápida nela. Embora Vitória estivesse pálida e de cenho franzido, sua postura mostrava firmeza. Ele pegou uma garrafa de água no console e estendeu para ela: — Quer água?
Vitória pegou a garrafa: — Obrigada.
Ela abriu e deu um gole. A água fresca limpou o gosto amargo de sua boca, dissipando um pouco a nuvem escura que a morte daquela jovem havia deixado em sua mente.
— Pode me dar uma mãozinha?
Ao levantar a cabeça, Vitória viu Fernando estendendo outra garrafa.
— Abre para mim, por favor.
Ela pegou, desenroscou a tampa e ofereceu de volta a ele.
Mas Fernando não pegou, mantendo o olhar severo no tráfego à frente.
Vitória não entendeu o que ele queria. Ficou esperando um momento, mas ele continuou imóvel. Pensando rápido, ela abriu a bolsa, tirou um canudo descartável, abriu a embalagem, colocou na garrafa e levou até os lábios dele.
Vitória não sabia se era coisa da sua cabeça, mas teve a impressão de que Fernando ficou totalmente tenso ao ver o canudo.

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