— Dra. Vitória.
Ao verem Vitória Lacerda se aproximar, os policiais na fábrica abriram caminho para ela.
Vitória avançou sem obstáculos até chegar perto do corpo.
Como o jovem policial havia relatado, a cena do crime estava um verdadeiro caos.
O sangue da vítima parecia ter sido drenado por completo, misturando-se à terra do chão e formando uma poça de um vermelho escuro e espesso, uma visão estarrecedora.
A um metro do corpo, havia uma mochila jeans com o zíper violentamente arrebentado, jogada de qualquer jeito.
O interior da mochila estava virado do avesso, deixando claro que alguém a havia revirado de ponta a cabeça para ter certeza de que não sobrara nada antes de descartá-la.
Vitória parou em frente à vítima.
— Júlia Rodrigues... — Ela mal começou a chamar, quando lembrou que sua assistente estava de férias.
— Alguém pode anotar isso para mim?
Ouviram-se passos leves, e logo alguém parou atrás dela.
Vitória entrou em estado de foco absoluto, seus olhos fixos apenas no cadáver mutilado da garota. Ela nem se importou em ver quem era a pessoa que a ajudava com os registros.
— Vítima do sexo feminino, idade entre 16 e 25 anos. O rigor mortis já se instalou, estimativa preliminar da hora da morte: uma a duas horas atrás. A pele das costas apresenta cianose com manchas escuras, o que reduz a janela da morte para menos de uma hora.
Vitória fez uma pausa, voltando o olhar para a cabeça da vítima.
— Há múltiplos hematomas na cabeça, todos causados por um objeto contundente. A vítima sofreu golpes violentos e repetidos na região craniana antes de morrer.
— O rosto também apresenta lesões, preliminarmente causadas pelo mesmo objeto.
— O pescoço tem vários arranhões profundos, possivelmente causados por um objeto pontiagudo. Suspeito que sejam unhas, mas só a autópsia poderá confirmar...

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