— Vitória.
A voz de Cesar Lacerda trouxe a atenção de Vitória de volta ao presente.
— Você não quer mais nem me chamar de pai?
Vitória desviou o olhar do corredor e respondeu com frieza:
— Eu não tenho pai faz muito tempo.
Cesar ia retrucar, mas Vitória o cortou:
— Se você me chamou aqui só para falar sobre isso, não temos mais nada para conversar.
Cesar apertou os lábios e suspirou.
— Vamos para a sala primeiro. Pedi um monte de coisas que você gosta de comer.
A tentativa de agradar na voz de Cesar era evidente.
Mas Vitória não se comoveu nem um milímetro.
Desde o dia em que aquele homem expulsou ela e a mãe de casa, o coração de Vitória havia morrido para ele.
A palavra "pai" havia sido apagada de seu vocabulário para sempre.
Além disso, Vitória o conhecia bem demais. Se não houvesse algum interesse em jogo, ele jamais baixaria a guarda. Aquele excesso de atenção só provava que ele estava tramando alguma.
Ao entrarem na sala vip, Vitória escolheu a cadeira mais distante possível de Cesar.
Ela deu uma olhada rápida para a comida na mesa e seus olhos se encheram de escárnio.
Cesar sentiu um aperto no peito e perguntou, cauteloso:
— O que foi?
O desgosto de Vitória transbordava sem qualquer filtro:
— É isso que você chama de coisas que eu gosto de comer?
Cesar olhou para o banquete de frutos do mar à mesa e sorriu, confiante:
— E não é? Lembro que, antigamente, você adorava frutos do mar.
— Teve um ano em que você fez um escândalo porque queria comer caranguejo gigante, e ficou emburrada comigo um mês inteiro porque eu não te levei. Aquela vez...
Cesar foi falando até que, de repente, sua voz sumiu.
A expressão de Vitória foi ficando cada vez mais gélida.
Cesar finalmente se deu conta de que a protagonista da história do caranguejo não era Vitória, mas sim Kelly.
Vitória nunca gostou de frutos do mar, desde criança.

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