Os pelos do corpo de Isaque Cavalcanti se arrepiaram.
Lembrando-se de todas as vantagens que Kelly Lacerda havia lhe prometido antes, ele fechou os olhos com força.
Quando os abriu novamente, seu olhar transbordava apenas uma paixão cega por ela.
— É claro que eu sei, Kelly. Você é a mulher da minha vida, e nada vai mudar isso.
Só então Kelly sorriu, satisfeita.
— Que bom menino.
Isaque deu um sorriso e abraçou Kelly enquanto entravam em outro elevador.
Assim que as portas se fecharam, ele baixou os olhos, escondendo a escuridão que tomava conta de sua expressão.
No outro elevador.
Vendo que Fernando Pereira ainda não havia selecionado nenhum andar, Vitória Lacerda não aguentou e avisou:
— Fernando, você não apertou o botão.
Fernando pareceu voltar a si. Soltou um "ah" e respondeu:
— Não precisa.
Vitória ergueu uma sobrancelha, surpresa.
— Não precisa? Vai para o mesmo andar que eu?
Fernando assentiu.
A confusão de Vitória só aumentou.
— Obrigada por me tirar daquela saia justa agora há pouco.
Se não fosse por Fernando, ela com certeza teria ficado lá embaixo sendo enojada por Isaque e Kelly por muito mais tempo.
— Mas... o que você está fazendo aqui?
Fernando cruzou o olhar com Vitória.
Ao notar a desconfiança nos olhos dela, um sorriso de canto surgiu em seus lábios.
— Tenho um compromisso.
Que coincidência... ele também tinha um compromisso?
E justo no mesmo andar que ela?
Embora Vitória fosse médica legista e não uma detetive de homicídios...
Ela tinha a intuição e a perspicácia da profissão.
Seus instintos diziam que aquilo era coincidência até demais.
— Capitão Fernando...
Vitória mal abriu a boca para sondá-lo quando a voz de Fernando a interrompeu de supetão:
— Pode me chamar de Fernando.
Sem dar tempo para Vitória reagir, ele emendou com uma desculpa aparentemente irrefutável:
— É menos provável que exponha minha identidade.

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