— Vitória, não dê atenção a ele!
Isaque Cavalcanti não era idiota. Uma vez era acidente, duas vezes já era de propósito.
Ficava claro que aquele Fernando Pereira tinha vindo só para provocá-lo.
Ele bloqueou a porta de imediato, impedindo Vitória Lacerda de dar atenção a quem estava lá fora.
Vitória Lacerda, porém, apenas o encarou de soslaio.
— Isaque Cavalcanti, o homem lá fora é meu chefe direto. Quem você acha que é? — disse ela, com a voz gélida.
Isaque Cavalcanti murchou na mesma hora.
Vitória Lacerda pegou uma garrafa de óleo lacrada e caminhou até a porta.
Fernando Pereira estendeu a mão para pegar.
— Não atrapalhei vocês, né? — perguntou ele, com um sorriso na voz.
Isaque Cavalcanti, com os joelhos tão dormentes que mal conseguia ficar em pé, contorceu o rosto de raiva.
Olha só o nível de cinismo desse cara!
Veio claramente para atrapalhar e ainda teve a audácia de perguntar com aquela cara de sonso.
Não exigiam teste de caráter para ser detetive hoje em dia? Como um homem tão manipulador e falso conseguiu o cargo?!
— Claro que não. — respondeu Vitória Lacerda, acenando com a mão. — Vai lá fazer o seu jantar, eu estou morrendo de fome.
Fernando Pereira lançou-lhe um olhar profundo.
— Tudo bem.
Dito isso, ele se virou e foi embora.
Vitória Lacerda observou-o entrar na casa dele antes de fechar a própria porta.
— Isaque Cavalcanti, diga logo o que você tem para dizer e vá embora imediatamente.
Para alguém tão territorialista quanto Vitória Lacerda, ter Isaque Cavalcanti invadindo seu espaço pessoal era uma verdadeira tortura.
Ela sentia que sua casa inteira estava sendo contaminada por ele.
Assim que resolvesse aquele caso, faria questão de contratar uma equipe de limpeza para esterilizar o apartamento inteiro.
— Eu...
Toc, toc, toc.
As batidas na porta soaram como uma tortura para os ouvidos.
Isaque Cavalcanti parecia um balão prestes a estourar, precisando desesperadamente liberar toda a raiva acumulada.
— Porra!
Xingando agressivamente, Isaque Cavalcanti foi mais rápido que Vitória Lacerda e correu até a entrada. Abriu a porta num solavanco e, sem nem ver quem era, já começou a gritar:
— Você não tem porra nenhuma em casa, que merda de jantar você vai fazer?! Nós dois somos homens, acha mesmo que não sei quais são as suas intenções? A Vitória Lacerda é minha namorada, vê se fica esperto e para de assediá-la, entendeu?!

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