Isaque Cavalcanti empurrou Vitória Lacerda de volta para o apartamento e fechou a porta atrás de si.
— Comida uma hora dessas... Será que foi algum colega da delegacia? — perguntou ele, em tom de sondagem.
Vitória Lacerda o encarou friamente.
— Se fosse, a pessoa teria me mandado uma mensagem.
Mas ela não havia recebido absolutamente nada.
— Então foi algum pretendente. — rebateu Isaque Cavalcanti, com a voz emburrada. — Vitória, tem muita gente correndo atrás de você, não tem?
Vitória Lacerda soltou uma risada sarcástica.
— E com que autoridade você está me perguntando isso?
— Eu sou seu namorado!
O olhar de Vitória Lacerda era puro gelo.
— É mesmo? O namorado que estava transando no carro, na garagem, com outra mulher?
Tendo sua traição exposta de forma tão implacável, os ombros de Isaque Cavalcanti despencaram.
Ele parecia ter perdido toda a energia do corpo.
— Vitória, eu admito que errei com você... Mas nós temos tantos anos de história juntos...
Lá vinha ele de novo, com aquele mesmo discursinho de sempre!
Vitória Lacerda o cortou, impaciente:
— Sete anos de relacionamento são o seu passe livre para fazer o que quiser?
— Você acha que, por estarmos juntos há sete anos, eu sou obrigada a ficar com você e isso te dá o direito de me trair à vontade?
— Quando você disse para a outra mulher que eu tinha cheiro de cadáver, você não lembrou que era meu namorado, não é?
— Isaque Cavalcanti, você me dá nojo!
Isaque Cavalcanti desabou no chão, derrotado.
— Eu...
— Não existe mais nós. Não me faça sentir ainda mais desprezo por você.
Isaque Cavalcanti olhou para o rosto frio de Vitória Lacerda. Ela continuava tão deslumbrante quanto no dia em que a conheceu. Uma verdadeira deusa, inalcançável e intocável.
De repente, uma onda de raiva subiu à sua cabeça.
— Você sente desprezo por mim?

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