Antes de sair de casa, Vitória Lacerda ligou para o Sr. Guilherme.
— Vitória, minha filha?
— O senhor teve alguma notícia da minha mãe?
Vitória não esperava que o idoso ainda estivesse preocupado com o assunto da mãe dela. Sentiu um calor no peito e suavizou o tom de voz.
— Ela está com o meu pai. Por enquanto, não corre risco de vida. Aquele homem não faz nada sem segundas intenções, então não vai soltá-la tão fácil.
— Aquele traste nojento.
O velho não conseguiu segurar a língua.
— Ele é uma vergonha para nós, homens!
Vitória não sentia a menor culpa em falar mal do próprio pai.
Se não estivesse tão apressada com outro assunto, ela até faria coro com as ofensas do idoso.
— Eu liguei por outro motivo.
— Sr. Guilherme, o Sr. Fernando foi à minha delegacia?
— Você já sabe?
O Sr. Guilherme ficou chocado.
O neto dele já tinha se exposto tão rápido?
Nossa, ele jurava que, depois do desencontro da última vez, a identidade dos dois só seria revelada no dia do casamento.
Embora o idoso não fizesse a menor ideia do que o neto estava aprontando, pelo visto os objetivos dos dois estavam alinhados.
Então, por que ele perderia tempo se preocupando? Melhor gastar essa energia planejando a festa.
Era o casamento do seu neto precioso com a nora que ele mesmo tinha escolhido a dedo. Ele faria uma festa para o mundo inteiro ver!
O coração de Vitória deu um salto ao ouvir a confirmação.
— Então ele foi mesmo?
— Foi, sim. — O Sr. Guilherme suspirou, um tanto impotente. — Aquele moleque nunca me consulta antes de agir. Quando eu fico sabendo, a poeira já até baixou.
— Mas não fique brava com ele, Vitória. Esse menino é teimoso demais. Quando coloca uma ideia na cabeça, nem um trator tira.

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