— Dra. Vitória!
Enquanto ela lutava com seus pensamentos, Júlia Rodrigues gritou seu nome.
Vitória levantou a cabeça e viu a colega na janela, acenando empolgada.
— Vem rápido, Dra. Vitória!
Vitória forçou um sorriso rígido, assentiu e apontou para a entrada, sinalizando que estava subindo. Respirou fundo, enfiou as mãos nos bolsos e entrou a passos largos na delegacia.
Assim que saiu do elevador, a voz exageradamente alta de Júlia ecoou pelo corredor:
— Só mais um minutinho, futuro cunhado! A Dra. Vitória já está vindo, acabei de ver ela lá embaixo.
Vitória quase caiu para trás com aquele "futuro cunhado".
Ela apertou o passo até a porta da sala de visitas e se deparou com um homem de costas, sentado no sofá.
Júlia estava em pé na frente dele, com um sorriso largo no rosto, parecendo menos uma assistente forense e mais uma casamenteira de novela.
— Júlia Rodrigues. — Vitória chamou seu nome de forma cortante.
Júlia virou o pescoço na hora, com os olhos brilhando.
— Dra. Vitória, você chegou!
— Vem logo, seu noivo tá te esperando faz um tempão.
Júlia praticamente empurrou Vitória para a frente do homem.
Vitória ainda nem tinha decidido o que ia dizer ao Sr. Fernando, quando um rosto muito familiar surgiu em sua visão.
Ela arregalou os olhos, encarando o homem sentado no sofá.
— Você disse a eles que é meu noivo?!
O olhar de Vitória subiu direto para o cabelo dele.
— O que aconteceu com o seu cabelo cor de pitaia?
O homem no sofá, que não era outro senão Leandro Dutra, levantou-se exibindo um sorriso enorme e radiante.
— Pintei de preto!
— Meu pai ameaçou raspar minha cabeça se eu voltasse para casa daquele jeito. Não tive escolha.
Vitória franziu as sobrancelhas, formando um vinco profundo na testa.
Apesar de achar que o Leandro Dutra de cabelo preto parecia muito mais decente do que na sua fase emo-rebelde, toda aquela situação era absurda.
— O seu nome não é Leandro Dutra? Desde quando você é meu noivo?

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