Vitória Lacerda lançou um olhar desconfiado para Fernando Pereira.
Ela suspeitava que ele estava sendo irônico.
Mas não tinha provas.
Fernando também não parecia a fim de render o assunto, deu a partida no carro e deixou o hospital.
O caminho de volta foi silencioso, até que o carro parou em frente ao prédio dela e Vitória se lembrou de um detalhe.
— O que o Caio Mendes queria falar com você?
— Ele só queria acrescentar algumas informações sobre a família do Cláudio Mendes. — respondeu Fernando.
— E precisava te chamar em particular para isso?
Além do mais, não havia motivo para esconder isso de ninguém, certo?
— É meio estranho.
Fernando olhou para Vitória, notando as sobrancelhas dela levemente franzidas, imersa novamente no caso, e esticou a mão para dar um leve peteleco em sua testa.
— Tsc...
Vitória ergueu os olhos e o fuzilou com o olhar.
— O que você está fazendo?
— Se está doente, descanse direito. A força-tarefa vai cuidar dos desdobramentos do caso. — disse Fernando.
— Mas eu não consigo parar de pensar nisso.
— Pois trate de conseguir.
Vitória: "..."
De onde ele tirava tanta moral para ser tão mandão?
Considerando que, no fim das contas, ele estava apenas preocupado com ela, Vitória engoliu as respostas atravessadas.
— Vou subir.
— Certo.
— Se houver alguma novidade, eu te aviso.
Os lábios de Vitória se curvaram em um leve sorriso.
— Então, obrigada, Capitão.
Observando o sorriso de Vitória, o pomo de adão de Fernando subiu e desceu.
Sua voz saiu um tom mais rouca.
— De nada.
Vitória não notou a mudança no olhar dele, abriu a porta e desceu do carro.
Assim que chegou em casa, Vitória foi direto para o banheiro tomar um banho e lavar o cabelo.
Sua intenção era dormir a manhã toda, mas mal saiu do banho e ouviu o celular tocar sem parar.

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