Vitória Lacerda deu uma volta pelo departamento de medicina legal para checar algumas pendências e, quando retornou à força-tarefa, foi bombardeada com a notícia: Jay havia confessado tudo.
— O Fernando é um monstro na sala de interrogatório. Ele só jogou uma foto na mesa, e o desgraçado quebrou na hora e confessou tudo.
Ouvindo os murmúrios empolgados dos investigadores, Vitória se aproximou, mordida pela curiosidade:
— Que foto?
Ao verem a Dra. Vitória se aproximar, os membros da equipe trocaram olhares rápidos, cheios de pânico, e começaram a desconversar descaradamente.
— Foto? Que foto? Nenhuma foto não... É o seguinte, Dra. Vitória, se quiser saber os detalhes táticos, é melhor perguntar direto pro Fernando.
— Isso, isso! Só o Fernando sabe das provas. Boa sorte lá!
Dizendo isso, um por um arranjou uma desculpa esfarrapada, deu as costas e sumiu pelo corredor como se tivessem visto assombração.
Vitória Lacerda ficou parada no meio da sala, com a testa franzida.
Ela era algum tipo de fera radioativa agora? Por que estavam todos fugindo dela?
Como não restou ninguém na força-tarefa com coragem para abrir a boca, Vitória Lacerda foi direto à sala de Fernando Pereira para tirar a história a limpo.
Para sua surpresa, a sala estava vazia.
Ela imaginou que ele devia estar na sala do delegado-chefe apresentando o relatório final do caso. Estava prestes a dar meia-volta e sair, quando seus olhos esbarraram em algumas fotos espalhadas sobre a mesa de Fernando.
Ela hesitou por um segundo, mas a curiosidade falou mais alto. Foi até a mesa e pegou as imagens.
— Mas o que é isso...
Folheando uma a uma, o sangue de Vitória gelou. Ficou claro no primeiro segundo que aquelas fotos eram montagens maliciosas.
O rosto nas imagens era inegavelmente o dela, mantendo a expressão fria e distante que ela costumava usar, mas o corpo... O corpo vestia roupas extremamente ousadas e vulgares, criando um contraste esteticamente perturbador.
O desgraçado do Jay provavelmente a seguiu na saída da delegacia, tirou fotos do rosto dela de longe e usou edição de imagem para criar aquele material doentio e absurdo.
— TOC, TOC.
Duas batidas secas na porta. O susto fez Vitória Lacerda dar um pulo no lugar, e as fotos escorregaram de suas mãos, caindo no chão.
Ela se abaixou desesperadamente para juntá-las, mas alguém foi mais rápido.
Vitória assistiu, paralisada, enquanto Fernando Pereira recolhia as fotos do chão e, com um cuidado que beirava a reverência, passava o polegar para limpar uma poeira inexistente do papel.
— Isso é uma evidência criminal? — O rosto de Vitória perdeu a cor ao ver o zelo dele. — Eu acabei de tocar nisso sem luvas...
— Não tem problema. — a voz de Fernando soou impassível. — São só cópias.
— Cópias?
Fernando cruzou o olhar com os olhos desconfiados e afiados de Vitória Lacerda. Ele pigarreou levemente e manteve a expressão neutra:

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