Vitória não tinha a menor paciência para bater boca com Isaque. Ela simplesmente trocou os sapatos, entrou no apartamento, pegou uns ingredientes na geladeira e entregou a Fernando.
— Toma.
— Se você tiver outras coisas em casa, pode colocar junto.
— Tem molho?
Fernando pegou os itens e assentiu.
— Tenho.
— Que bom. — respondeu Vitória.
Fernando fez um leve aceno com a mão.
— Vá descansar logo.
Dito isso, ele se virou e foi direto para o apartamento da frente.
Com o barulho da porta de Fernando se abrindo, Isaque, que havia sido completamente ignorado, finalmente reagiu. Em vez de falar de imediato, ele se esgueirou agilmente para dentro do apartamento de Vitória antes que ela fechasse a porta.
— Vitória Lacerda, por que você nunca me contou que o seu capitão morava na porta da frente?
Vitória lançou-lhe um olhar impaciente.
— O que você quer, afinal?
Isaque fez um bico de coitado.
— Eu já não te disse? Vim especialmente para te fazer um lanche da madrugada.
Ele puxou Vitória até a cozinha, apontando para o caldo que ainda aquecia no fogão.
— Você trabalhou até tarde. Fiz um caldo quente para você comer antes de dormir.
Isaque olhou no fundo dos olhos dela, transbordando uma falsa devoção.
— Vitória, eu sei que andei meio ausente ultimamente. Mas tem que acreditar em mim, você é a única na minha vida.
A sobrancelha de Vitória se moveu levemente.
Sete anos de namoro. Vitória conhecia aquele homem melhor do que ninguém.
Ele só dizia esse tipo de coisa quando estava com peso na consciência.
Era o clássico comportamento do marido que, após trair, manda mensagens melosas de "eu te amo" para a esposa.

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