Isaque não esperava que ela tocasse nessa ferida novamente. Ele passou a mão no cabelo, irritado e agressivo.
— Eu não já disse que ela está ótima? Vai ficar batendo nessa tecla até quando, Vitória Lacerda?
— Ótima?
Ao contrário do descontrole de Isaque, Vitória estava assustadoramente calma, quase apática.
Ela cravou o olhar no homem à sua frente e disse, palavra por palavra:
— Mas... a minha mãe já foi transferida de hospital.
— Isaque Cavalcanti, como médico responsável pela minha mãe, você nem sabia que a sua própria paciente foi transferida?
Se Isaque não fosse um inútil desatento, Cesar Lacerda nunca teria conseguido levar a mãe dela com tanta facilidade.
E ela não estaria nas mãos daquele velho agora.
Cesar Lacerda havia escondido a mãe dela tão bem que, até o momento, Vitória não tinha recebido uma única notícia.
Aquela velha raposa não a devolveria tão facilmente.
Naquele jogo de poder entre pai e filha, Vitória estava em total desvantagem. Mesmo que tentasse negociar, enquanto sua mãe fosse refém, ela estaria de mãos atadas.
O olhar de Vitória ficou ainda mais gélido.
Bum! Foi como se um raio caísse bem na cabeça de Isaque.
— O que você disse?
— A sua mãe foi transferida? Como assim?!
Isaque empalideceu. Com os lábios trêmulos, ele encarou Vitória.
— Você está mentindo para mim, né?
Vitória não disse uma palavra.
O coração de Isaque afundou.
Com as mãos trêmulas, ele pegou o celular e ligou para uma colega de trabalho.
— Liliane, me tira uma dúvida, a minha sogra...
Antes mesmo de Isaque terminar a frase, Liliane o interrompeu.
— Ué, Dr. Isaque, a sua sogra não foi transferida para um hospital de ponta? A gente tentou ligar naquele dia, não conseguiu e te mandou mensagem.
— Enfim, tô cheia de trabalho aqui, vou desligar, Dr. Isaque. Tchau!
A chamada foi encerrada. Isaque ficou parado no mesmo lugar, como se tivessem arrancado a sua alma.
— Como isso é possível...

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