— Vocês!
— Vitória Lacerda, como você tem a coragem de me trair?!
— Trazendo macho para casa a uma hora dessas!
— Eu sabia! Por isso você anda tão fria comigo ultimamente. Me explica agora que palhaçada é essa!
Isaque Cavalcanti parecia um lunático, pulando e gritando no mesmo lugar.
Vitória Lacerda já estava exausta de tanto trabalhar no caso. A voz estridente de Isaque só fazia sua cabeça latejar.
— Isaque Cavalcanti, cala a boca!
Isaque nunca tinha visto Vitória com uma expressão tão gélida.
Mesmo que os outros a chamassem de "Legista de Gelo", com ele, ela sempre foi dócil, compreensiva e paciente.
Mas agora ela estava gritando com ele por causa de outro homem!
Um misto de indignação e fúria tomou conta de Isaque.
Ele agarrou o pulso de Vitória, puxando-a de forma bruta para dentro do apartamento.
— Entra agora! Presta atenção, Vitória Lacerda, se você não me der uma boa explicação hoje, isso não vai ficar assim!
— E eu feito idiota, preocupado que você fosse chegar morta de fome, vim até aqui só para fazer um caldo quente para você! Fiquei te esperando igual um otário para fazer uma surpresa! Você não merece o que eu faço por você!
Percebendo a manipulação barata nas palavras de Isaque, Vitória nem se deu ao trabalho de retrucar.
Isaque Cavalcanti era mesmo um mestre na gestão de tempo.
Como ele conseguia pular entre ela e a prima dela com tanta facilidade, e ainda fingir estar profundamente apaixonado por ambas?
Vitória só queria que ele continuasse mentindo para si mesmo, desde que a deixasse em paz.
Só de lembrar das nojeiras que ele andava fazendo, ela sentia vontade de vomitar!
— Me solta!
O aperto de Isaque machucava, mas ela estava sem forças para se soltar. Quando pensou em dar um chute nele, uma sombra se moveu mais rápido.
Fernando Pereira agarrou Isaque pelo colarinho de trás. Como uma águia capturando um pintinho, ele o ergueu e o jogou para fora do apartamento num único movimento.

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