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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 420

Desta vez, Lúcia sustentou o olhar, fria, com uma autoridade que intimidava.

Denise olhou para a mãe, depois para Antônio; seu rostinho ficou ainda mais pálido de nervosismo.

Antônio hesitou só alguns segundos e atendeu. — Alô?

Do outro lado, a voz de Adriana veio fraca, cheia de queixa: — Antônio, eu queria te ver. Eu tinha coisas muito importantes para te dizer.

— Por coincidência, eu também tinha coisas para te dizer. Mas dava para ser por telefone.

O olhar de Antônio permaneceu em Lúcia; sua voz saiu gelada e firme: — A partir de agora, a gente não ia mais se procurar.

— Antônio… o que isso significava?

A voz de Adriana se elevou do outro lado, quase vazando pelo alto-falante.

Lúcia observou Antônio com um interesse quase divertido.

Mesmo que fosse teatro diante dela, a atuação dele era impecável.

No rosto, não apareceu o menor desconforto. Ele estava distante e cruel, como se descrevesse algo banal.

— Por causa do assunto da professora, eu devia a você. Eu tentei compensar o máximo possível, mas havia coisas que não se compensavam.

E o que você fez com a Denise e com a Lúcia já passou do meu limite. Se você ainda quisesse continuar em Lagoa Nova, eu aconselhava você a se comportar.

Antônio falou de forma direta, recusando sem rodeios, com uma decisão absoluta.

Lúcia nem teve tempo de reagir; ele já tinha desligado.

Adriana, claro, não desistiu. Ligou de novo. Só que, diante de Lúcia, Antônio colocou o número dela na lista negra.

Depois de terminar a sequência de ações, ele disse a Lúcia e Denise, que ainda estavam imóveis: — Vamos.

Denise também se apressou em abraçar o braço de Lúcia, muito comportada, como se temesse que Lúcia ficasse brava.

Lúcia teve vontade de falar, mas engoliu. Até chegar em casa, ela não soube o que dizer.

Antônio tratando Adriana assim na frente dela… a parte “para ela ver” era óbvia demais.

Homens eram tão frios assim?

Mas, ao sair para a sala, viu Antônio sentado no meio do sofá. Diante dele havia uma garrafa de uísque; em dois copos de cristal, gelo.

Como se estivesse esperando por ela.

Lúcia passou por ele e, sem evitar a ironia, disse: — Então… o humor estava tão ruim assim?

— Por que você dizia isso?

— Beber de madrugada aliviava dor de amor?

Lúcia pegou um dos copos com gelo, serviu um pouco para si e tomou um gole.

Na verdade, o coração dela também estava confuso. Se era para falar de humor, o dela também não estava bom.

— Não era para aliviar dor nenhuma. Talvez eu estivesse bem e quisesse comemorar.

Antônio se levantou. A altura dele fez Lúcia parecer ainda menor, delicada, quase frágil.

O tecido do roupão de dormir era macio; o decote em V estava aberto, revelando a musculatura fina. Havia algo de sensual e sedutor nele.

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