Ainda que o próprio contexto familiar fosse tão extraordinário, ela nunca se exibira.
Tantas boas impressões e curiosidade fizeram de Denise um foco de inveja.
Denise, por natureza, era orgulhosinha e gostava de se mostrar. Agora que os coleguinhas elogiavam sua mãe e a rodeavam sem parar, ela ficou radiante.
Assim que viu Lúcia, Denise se jogou nos braços dela e começou a falar, empolgada, sobre a escola.
— Mamãe, todo mundo disse que você era incrível. Eu também acho você incrível. Disseram que a Família Ximenes era muito rica, em Lagoa Nova… não, no Brasil inteiro era uma das mais… era isso mesmo?
Lúcia sorriu sem jeito. — Eles exageravam.
— Mas “herdeira de um império” era incrível, né? — Denise ouvira esse título o dia todo. Ela encarou Lúcia com os olhos brilhando. — Se a mamãe era herdeira, eu também era, não era?
Denise não escondia a empolgação. Lúcia só pôde dar um leve toque na testa da filha.
— Era, sim. Mas, para ser herdeira e administrar tanto patrimônio, precisava ter competência. Nem a mamãe necessariamente herdaria.
— Competência? Que competência?
— Precisava conseguir carregar o peso da família. Precisava saber ganhar dinheiro, aprender muitas coisas, superar muitas dificuldades, virar alguém ainda melhor do que você era.
Lúcia falou sem pensar muito, mas o rostinho de Denise ficou sério na hora.
Ela entendia só pela metade, ainda assim assentiu com solenidade, os olhos cheios de admiração.
— Tá bom. Então a Denise também ia se esforçar para ser uma pessoa ainda melhor!
Vendo a filha tão obediente, Lúcia acariciou a cabeça dela. — Isso. Força.
Ao ver mãe e filha tão próximas, Antônio sentiu um aperto passageiro.
Talvez ele tivesse errado no passado. Aquele casamento desigual fizera a filha ficar interesseira, e a relação entre mãe e filha se desequilibrara.
Adriana tinha culpa, mas a responsabilidade maior era dele.
Lúcia e Denise entraram no restaurante rindo e conversando. Com a filha, até a maior das angústias podia ser esquecida por um momento.
Nesse instante, seus olhos caíram sobre o nome na tela.
“Adriana”.
A tela apagou, e Antônio voltou.
Ele percebeu que o clima entre Lúcia e Denise tinha mudado e notou o celular perto da mão de Lúcia.
Antes que ele falasse, Lúcia disse, num tom neutro: — Estavam te procurando. Mas eu te aviso: não esqueça o nosso acordo.
Mesmo sabendo a verdadeira face de Adriana, Lúcia não esperava que ele cortasse contato por vontade própria.
Mas havia um acordo. E, naquele momento, mesmo que não quisesse, ele teria de cortar.
Enquanto Lúcia falava, Antônio já tinha visto a chamada.
O celular acendeu de novo. Ele olhou para Lúcia, com um olhar complexo; era Adriana outra vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...