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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 372

Ele olhou para Adriana, havia algo sombrio e indecifrável naquele olhar, e ela entendeu de imediato.

Ela já tinha certeza de que Antônio não contaria a Lúcia a história de Nestor.

Nestor tinha tido apenas as cinzas roubadas, como ele poderia estar vivo?

Antônio, do jeito que estava, sofrendo por Lúcia, jamais a empurraria para um desespero ainda maior por causa de uma pista tão incerta.

Por isso Adriana insistira em “explicar”. Com os dois se escondendo, falando pela metade, Lúcia não acabaria entendendo tudo ainda mais errado?

E, de fato, aquele vai-e-não-vai fez a raiva de Lúcia subir direto ao peito.

Eles a tratavam como se fosse idiota.

Mas, por mais furiosa que estivesse, Lúcia ainda tinha lucidez.

Ela tirou o celular e, antes que os dois na cama reagissem, apertou o obturador. O flash estourou no quarto escuro, agressivo.

— Lúcia! — A voz de Antônio endureceu de repente. Ele percebeu o que ela pretendia e falou num tom de advertência. — Pare com isso. O que aconteceu hoje… eu vou falar com você depois.

— Eu estou “fazendo drama”? — Lúcia virou a tela do celular para ele, a imagem no vídeo estava nítida demais.

Ela curvou os lábios. — Não, Antônio. Eu não vou fazer drama por você.

— Só que nós ainda não nos divorciamos, e você, dentro de casa, com outra mulher, seminu, fazendo esse tipo de coisa… eu posso chamar a polícia, não posso? Ou talvez você prefira aparecer amanhã na manchete do mundo empresarial?

— Deixe eu pensar… O título pode ser: “Presidente do Grupo Lacerda trai a esposa durante o casamento, amante escondida no próprio escritório é flagrada em flagrante”?

— Lúcia! — Antônio se irritou e começou a tossir, forte.

— Isso não é da sua conta. Você gosta mesmo de se humilhar? Só se sente bem quando alguém te dá um tapa?

— Lúcia, você é cruel! Antônio se machucou tanto por sua causa, e entre nós não houve nada… como você pode se aproveitar disso—

— Se houve ou não houve, todo mundo tem olhos. Quando o escândalo estiver na boca do mundo, aí você vai ter tempo de se fazer de vítima.

Lúcia devolveu, fria, e puxou de dentro da gaveta um acordo de divórcio.

Como ela imaginara, Antônio já o tinha preparado.

Ela não se deu ao trabalho de ler as cláusulas. Virou-se para Antônio e disse: — Antônio, por consideração ao que já existiu entre nós e pelo nome de Denise, eu posso te deixar um pouco de dignidade. Mas, para isso, os termos do divórcio vão ser os que eu disser.

— Lúcia, os nossos assuntos não envolvem mais ninguém! — Antônio, suportando o mal-estar que o atravessava, ainda assim se levantou. Foi até ela, tomou o acordo de suas mãos e o atirou de lado, num tom de ordem: — Solte ela.

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