Era mais um Rolex de edição limitada.
Lúcia entendeu: Antônio tinha saído sem o celular.
Mas sair sem celular era sair sem celular, não precisava virar um otário por orgulho.
Lúcia quase riu. Só que, antes que ela abrisse a boca, o próprio vendedor recusou.
— Senhor, o senhor está brincando comigo? Eu não aceito objeto. Só aceito dinheiro.
— Esse relógio é caro. É Rolex.
A voz de Antônio continuou controlada, mas, ao ver que Lúcia não reagia, a têmpora dele pulsou.
Doía, sim.
Por causa de Lúcia, ele já tinha “perdido” dois relógios.
Mas ele já tinha dito que pagaria, não conseguia simplesmente voltar atrás.
Ele só queria posar de generoso. Afinal, Lúcia nunca deixaria que ele trocasse um relógio de milhões por uma lanterna.
— Rolex? — o vendedor riu. — Senhor, não brinca. Mesmo que fosse uma réplica boa, eu nem tenho onde vender isso.
— Não é réplica...
Antônio se irritou. Levantou o relógio e aproximou do rosto do vendedor.
— Olha direito.
— Senhor, eu não entendo disso — o vendedor sorriu, constrangido. — Mas como é que alguém ia trocar uma coisa tão cara comigo? Eu... eu também não sou bobo.
— ...
Ao ver o rosto de Antônio, endurecido e sem saber como argumentar, Lúcia virou o rosto para o lado.
Ela estava quase explodindo de tanto segurar o riso.
Ela não riu, mas alguns clientes ao lado, que tinham ouvido, riram.
Antônio lançou um olhar cortante, eles se afastaram depressa.
O vendedor se irritou.
— Senhor, se não pode comprar, então não compra. E não atrapalha meu trabalho.
Antônio soltou um riso pelo nariz.
— O quê? Eu não posso comprar?
Lúcia sentiu que ele estava prestes a perder a linha. Apresentou o dinheiro ao vendedor e resolveu ali.
Denise, segurando aquela flor iluminada, parecia uma princesinha saída de um livro de figuras.
Lúcia pegou o celular e tirou duas fotos.
— Pronto, Denise. Faz um pedido.
— Tá!
Denise assentiu com força, fechou os olhos e fez seu desejo em silêncio, com uma devoção séria.
Depois de um instante, colocou a flor na água com cuidado.
A chama tremulou dentro da lanterna e desenhou reflexos sinuosos na superfície, avançando devagar para a frente.
— Meu amor, o que você pediu?
Vendo a filha fixada na luz, Lúcia envolveu o corpinho dela e perguntou com suavidade.
— Se contar, não funciona.
Quando Denise ia falar, a voz de Antônio veio detrás delas.
Ele estava ali, a poucos passos. Lúcia se virou para ele.
— O Diretor Lacerda também entendia dessas coisas de fazer pedido?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...