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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 359

— Um pouco.

Sabendo que a mulher o provocava, Antônio respondeu com leveza.

Ele, em geral, não acreditava nessas coisas, só acreditava em si mesmo.

Mas, às vezes, o destino realmente merecia respeito.

Lúcia apertou os lábios e não continuou.

O vento da noite levantou os fios do cabelo dele, com a silhueta alta e ereta, ele pareceu, por um instante, frio e melancólico.

Por tantos anos, Lúcia só enxergara nele indiferença e apatia.

Talvez fosse o clima do lugar — tão carregado de atmosfera — que acabava por lhe emprestar um pouco de humanidade.

Depois de soltarem as lanternas, Lúcia levou Denise para dar uma volta pela praça. Denise viu crianças no balanço e correu para lá.

Havia dois balanços, e três meninas se revezavam.

Lúcia ia pedir que Denise entrasse na fila, mas as outras foram gentis: ao verem que Denise era a menorzinha, deixaram que ela brincasse primeiro. A mais velha, inclusive, ajudou a empurrar o balanço.

Vendo as crianças felizes, Lúcia sentou-se num banco de frente para o balanço e esperou.

Antônio sentou-se ao lado dela.

Lúcia se afastou um pouco, sem esquecer de manter distância.

— Faz tempo que eu não via a Denise tão feliz. Pelo visto, é melhor ela ficar com a mãe.

Antônio tomou a iniciativa, a voz grave, naquela noite, soou especialmente suave.

Para Lúcia, porém, isso não serviu de nada.

— É mesmo? Então a guarda da minha filha fica comigo?

— …

Antônio lançou-lhe um olhar de soslaio.

— Se você ainda está com raiva do que aconteceu da última vez, eu posso pedir desculpas.

— Não preciso de uma desculpa tão forçada. E não quero.

Quanto mais falava, mais Lúcia se enfurecia. Ela se levantou e o encarou de cima, a voz cortante.

— Já entendi. Você quer me manipular, não é?

A mudança de atitude de Antônio — até aquele ar de flerte para amaciar a relação — só podia ser para segurá-la pelo pescoço.

No fundo, ele a desprezava, achando que bastava estalar os dedos e ela entregaria tudo.

— Lúcia…

— Antônio, você calculou mal. Se não dá para conversar, a gente resolve no tribunal.

Lúcia sentiu repulsa. Virou-se para ir atrás de Denise, mas seu braço foi agarrado num instante.

Antônio, sem aguentar mais, puxou Lúcia para os braços.

Por mais que ela lutasse, ele a conteve com força.

Lúcia tinha acabado de tomar banho, o cabelo, solto e volumoso, exalava perfume. Ela vestia apenas um casaco de tricô fino e, por baixo, um vestido longo de seda.

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