Lúcia foi proteger Denise, mas, no instante seguinte, uma “parede” de corpo se colocou ao lado dela.
O cheiro familiar veio primeiro. Antes que ela reagisse, já estava envolvida pelos braços dele, puxada junto, atravessando a rua em passos largos.
— Antônio, o que você acha que está fazendo agora?
Assim que chegaram do outro lado, ela empurrou o homem. No rosto de Antônio, sob a luz fraca, os traços pareciam ainda mais marcados.
— Tinha muita gente. Eu fiquei com medo de você levar uma trombada.
— Eu não sou frágil como a Adriana. E não preciso da sua gentileza falsa.
Quanto mais bonito Antônio falava, mais Lúcia sentia a raiva subir.
O que aquilo significava? Ele estava encenando afeto?
— Lúcia... o seu preconceito contra mim é tão grande assim?
As palavras dela também o feriram, Antônio não conseguiu segurar.
— Uau! Aquilo é uma lanterna na água? Que lindo!
Quando os dois estavam prestes a discutir de novo, Denise gritou.
E, sem se importar com os pais, saiu correndo para a frente.
— Denise! Vai devagar!
Havia muita gente, Lúcia temeu que Denise caísse e foi atrás na hora.
À beira do lago artificial, vários vendedores ofereciam lanternas de todos os tipos: barquinhos, patinhos, flores de lótus... coloridas, delicadas, bonitas demais.
Denise escolheu por um bom tempo numa barraca e acabou pegando uma lanterna em forma de flor cor-de-rosa.
— Quanto custa?
— Trinta.
Lúcia perguntou o preço e ia pegar o dinheiro quando Antônio surgiu atrás dela.
— Eu pago.
— Me dá vinte.
O vendedor se assustou.
— ...
— O que foi?
Ao ver que ele não fazia nada, Lúcia percebeu que havia algo estranho.
O rosto de Antônio ficou um pouco pálido, embora, no escuro, não fosse tão evidente.
Ele limpou a garganta e olhou de Lúcia para Denise. A filha também o encarava, confusa.
Nesse momento, um casal jovem se aproximou e apontou para a mesma lanterna cor-de-rosa.
— Moço, eu quero essa.
— Desculpa, só tem essa última — disse o vendedor, e olhou de novo para Antônio, que ainda não tinha pago.
— Deixa que eu pago — disse Lúcia, achando que ele estava só implicando com ela.
Mas, antes que terminasse, Antônio tirou o relógio do pulso e o estendeu.
— Troca por isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...