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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 356

Lúcia fechou a mão com força. No fim, não resistiu à insistência macia da filha.

— ...Só desta vez. Não se repete.

— Mamãe é a melhor!

Denise comemorou na hora.

Ao ver a animação da filha, Lúcia não conseguiu sentir alegria nenhuma.

Naquele dia, Lúcia voltara cedo. Depois de dar banho e escovar os dentes com Denise, ainda eram pouco mais de oito da noite.

A filha não tinha sono, e ela também não. A cabeça de Lúcia ficou trabalhando, em silêncio, em como fazer Denise aceitar melhor a ideia de que mamãe e papai se separariam.

— Mamãe, olha... tem luz acesa ali...

Denise se debruçou na janela e apontou para a praça, um pouco adiante.

Parecia haver algum tipo de encontro. O lago artificial brilhava inteiro, como se estivesse coberto de estrelas.

Lúcia acompanhou com o olhar.

— Parece... uma cerimônia de lanternas na água.

— O que é isso?

— É um jeito de fazer um pedido.

— Mamãe, eu não estou com sono. Vamos soltar uma lanterna também!

Ao ouvir que dava para pedir um desejo, o rostinho de Denise parou por um segundo e, logo depois, se iluminou de empolgação.

Lúcia hesitou. Desde que se mudara, mal tivera tempo de passear pela praça ali perto.

Santiago já lhe dissera que a paisagem era bonita, principalmente o lago à noite.

Ela olhou a hora e, por fim, concordou.

— Então vamos.

Logo, mãe e filha trocaram de roupa e saíram do quarto em silêncio, passos leves.

Antônio ainda estava na sala. O horário dele era cedo, quando voltava para casa, costumava tomar banho e ir direto descansar.

Mesmo quando chegava cedo, era assim.

Toda vez que Lúcia pensava em conversar com ele, a luz do quarto dele já estava apagada.

O olhar de Lúcia caiu ali por um segundo e, de imediato, as orelhas dela queimaram.

— Antônio... você vai sair vestido assim?

— Assim como? — Antônio puxou a gola, que estava torta, sem mudar a expressão. — Você saiu correndo. Não deu tempo de eu me arrumar direito.

— Você...

Era... descarado demais.

Lúcia ficou irritada, mas não pôde negar: o corpo de Antônio era bom. Bastava ele mostrar um pouco mais de pele para provocar pensamentos involuntários.

A porta do elevador abriu. Lúcia saiu primeiro com a filha.

Ela andou rápido, tentando deixar Antônio bem para trás.

Mas Denise logo não aguentou.

— Mamãe, você está andando rápido demais. Minhas pernas estão doendo.

Só então Lúcia diminuiu o passo. As duas chegaram bem na esquina, no semáforo.

Como havia atividade na praça, o cruzamento estava cheio. Quando o sinal abriu, a multidão se moveu e empurrou Lúcia e Denise para o lado.

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