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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 337

Mas aquela suposição claramente não se sustentava muito.

— Deixa isso para depois.

Por mais que pensassem, não chegariam a nada ali. A noite ainda não tinha acabado; elas ainda precisavam ir ao coquetel de celebração.

Era um compromisso importante. Estavam lá os responsáveis por várias marcas.

Ao voltar aos bastidores, Lúcia encontrou Antônio.

O homem estava sentado no sofá, as pernas longas cruzadas, folheando o catálogo da nova coleção da NEVER.

À frente dele, havia chá e docinhos.

A assistente e a equipe de Lúcia o cercavam com respeito, como se estivessem prontos para obedecer a qualquer ordem.

Era um estranho — e, ainda assim, parecia mais dono do lugar do que a própria Lúcia.

— Quem deixou ele entrar?

Lúcia levou a mão à testa; o olhar frio cortou na direção da assistente.

— Diretora Paiva... ele não é seu amigo?

A assistente murmurou, baixinho.

O relógio no pulso de Antônio era caríssimo; a postura e o porte dele não eram comuns.

E, na passarela, ele ainda tinha salvado Lúcia numa emergência...

Todo mundo tinha visto: Lúcia tinha sido carregada por ele o tempo inteiro.

— Em que momento eu falei dele? Eu não deixei claro que pessoas sem autorização não entram aqui?

Lúcia respondeu, rara e abertamente sem paciência.

Verônica estava ao lado. Assim que viu Antônio, fez de conta que não o tinha notado e entrou para dentro, primeiro, para trocar de roupa — como se poupasse Lúcia.

A assistente abaixou a cabeça na hora, como quem aceita a bronca.

Lúcia olhou para Antônio. Ele agiu como se não tivesse ouvido nada, imóvel, pesado no sofá, firme como uma rocha.

Ela arrancou o catálogo das mãos dele.

— Saia logo. Meu local de trabalho não te dá boas-vindas.

A força da mão foi tanta que as unhas afundaram na carne.

Antônio franziu o cenho de dor, mas deixou que ela o segurasse; ainda se aproximou mais um passo.

A distância entre os dois ficou perigosamente íntima.

Antônio baixou a cabeça, como se fosse roçar um beijo na têmpora dela.

— Com tanto medo de eu ir embora? Está me abraçando tão forte.

— Antônio, a nossa relação não pode vir a público. Se vier, eu vou até o fim com você — e o seu Grupo Lacerda não vai tirar vantagem nenhuma disso.

Lúcia ficou na ponta dos pés, ergueu o rosto e falou com ferocidade para os lábios finos dele.

A voz dela também era quase inaudível, mas a força não cedia.

— Quanto a Família Ximenes te deu de coragem para falar assim comigo?

Antônio estreitou os olhos. A provocação saía pela boca; por dentro, ele já tinha amolecido.

Porque a mulher à sua frente — até quando o ameaçava — era bonita.

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