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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 336

O olhar da mulher era sereno; um leve sorriso desenhou-se no canto dos lábios enquanto ela lhe fez um gesto de “ok”.

Verônica inspirou fundo, ergueu o queixo e entrou no compasso, decidida.

Mesmo em meio a um grupo de modelos de primeira linha, bastou Verônica aparecer para que todos os olhos se voltassem para ela.

Só que a roupa dela destoava da coleção; num instante, a curiosidade virou burburinho.

— Ela está sem maquiagem?

— A maquiagem do rosto dela ficou... suja...

— Talvez seja o styling? No conjunto até combina...

— Mas ainda assim fica estranho...

Verônica captou, aqui e ali, alguns comentários. Ao tentar se apresentar, os gestos lhe saíram contidos, como se as mãos pesassem.

Chegou a tropeçar de leve.

Ainda bem que ela tinha presença de passarela; por fora, mal se notou.

Nos bastidores, Lúcia observava e percebeu que Verônica tinha se assustado.

— Dá para ajustar a luz quando ela chegar no centro?

Lúcia tomou o rádio da assistente e falou com a equipe do palco.

No instante em que Verônica alcançou a posição central, a iluminação apagou de repente; quando voltou, uma luz amarelada e manchada, como um brilho de floresta, pousou sobre os traços firmes do rosto dela.

O chão da passarela também se transformou: da costa azulada passou, num salto, a um deserto distante.

Era o mesmo impacto arrebatador — e, ainda assim, completamente fora do tema da coleção.

Verônica ouviu as exclamações ao redor. Quando a luz a envolveu inteira, parecia que lhe atravessava o corpo uma força bruta, indomada.

Ela ergueu um pouco o queixo e abriu os braços, compondo poses com naturalidade.

Sem exagero, sem descuido — bela como um banquete para os olhos.

A bolsinha na mão também subiu; ela a fez girar.

Depois de variar as poses, voltou-se para um ponto da plateia e preparou o gesto de arremessar algo.

Alguém se levantou na hora e gritou; Verônica ergueu o braço e lançou a bolsa na direção da parte mais exaltada da multidão.

E, pelo que se via ali, a NEVER merecia ser, entre todas as novidades lançadas naquela noite, a marca mais comentada.

Quando o evento terminou, Lúcia levou Verônica depressa para trocar de roupa.

No caminho, Verônica explicou por alto o que tinha acontecido.

Leonardo a tinha levado à força.

Ela resistira o tempo todo; Leonardo, irritado com o barulho, acabou deixando-a sozinha no quarto.

Depois, de repente, chegaram pessoas de uniforme, parecidas com policiais em ronda, e a soltaram.

Verônica não teve tempo de pensar: correu direto para o local do desfile.

— Se o Leonardo te sequestrou, como é que te deixaram sair tão fácil?

A coincidência pareceu boa demais; Lúcia sentiu que havia algo errado.

Verônica arriscou:

— Talvez eles tenham feito alarde demais e chamaram a atenção da polícia?

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