— Eu não preciso da Família Ximenes para nada, Antônio. Aqui, você já não tem mais nada de especial.
Lúcia falou baixo, cortante.
A maneira como os dois cochichavam, para quem via de fora, era pura tensão carnal.
Antônio tinha um corpo impecável: cintura estreita, quadris firmes. A gola e os punhos da camisa estavam abertos; a pele pálida aparecia e sumia, e as linhas dos músculos ficavam nítidas sob a luz.
E o vestido de Lúcia também era ousado: ombros e costas à mostra, curvas desenhadas por uma silhueta fina e sinuosa.
Os dois, de pé, já eram desejo em movimento; colados daquele jeito, com as costas tremendo como se fossem se beijar, deixavam qualquer um corado, cheio de imaginação.
A assistente de Lúcia era jovem, e ainda por cima menina; virou o rosto, envergonhada.
Mas os outros funcionários não conseguiam desviar os olhos.
— O que foi? Nunca viram gente falando em particular?
A voz de Verônica surgiu de repente e quebrou toda a atmosfera.
Lúcia se afastou um pouco de Antônio na hora.
Verônica já tinha trocado de roupa.
Vestia um suéter verde de tricô vazado da NEVER, com uma saia jeans curta, e segurava uma clutch preta quadrada da NEVER.
Ela tinha tirado a maquiagem; estava fresca, limpa, com uma pele lisa que parecia brilhar.
Depois que Verônica falou, todos arrumaram desculpas para sair. Em instantes, o camarim ficou apenas com os três.
— Verônica, ele...
Ao ver Verônica olhando para Antônio, Lúcia entreabriu a boca; o olhar hesitou e correu até Antônio, sem saber como apresentá-lo.
— Eu ouvi. Este é o convidado que salvou a situação hoje. Um velho conhecido seu?
Verônica ajudou Lúcia, tomando a frente. O olhar dela passou por Antônio com indiferença, como se não tivesse interesse algum.
— Digamos que sim. Ele estava na França hoje, então eu o convidei para assistir ao desfile.
Sem esperar Antônio falar, Lúcia seguiu o que Verônica tinha dito.
Ela mentiu sem piscar.
O rosto de Antônio escureceu um pouco; o canto da boca subiu, sutil, e ele não contestou. Apenas estendeu a mão para Verônica.
— Sra. Ximenes, meu sobrenome é Lacerda. Antônio.
— O Leonardo mandou eu investigar você. Eu te segui uma vez.
A vez em que Verônica a seguiu foi naquela noite em que Lúcia, por causa de Denise, foi ao hospital atrás de Antônio.
Ela saiu tarde, às pressas.
Verônica não conseguiu entrar diretamente na ala VIP para ver com os próprios olhos, mas subornar alguns enfermeiros e médicos não era difícil.
— Se não fosse a desconfiança do Leonardo, eu jamais acreditaria que você, tão jovem, já era casada e ainda tinha uma filha.
Verônica não imaginaria; Branca e Leonardo também não.
Por isso, ninguém tinha ido atrás do estado civil de Lúcia.
— Sim. Você está certa.
Lúcia assentiu. Já que Verônica sabia, ela até respirou com mais leveza.
Virou-se, começou a trocar de roupa e perguntou:
— O Leonardo mandou você me investigar antes do seu escândalo estourar, não foi? Por que você não expôs isso direto?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...