Entrar Via

No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 306

Um som sutil passou junto ao ouvido.

Verônica franziu a testa e abriu os olhos: Santiago apenas retirara, de trás dela, a faca militar.

Ele a encaixou de volta numa bainha ornamentada e, com uma só mão, estendeu a arma para Verônica.

— Isso é seu. Agora... está de volta com a dona.

Verônica baixou os olhos. No instante em que viu a faca, os olhos se encheram de vermelho; o peito pareceu abrir um buraco, como se o sangue escorresse sem fim.

A peça tinha um acabamento caro. As pedras incrustadas, embora empoeiradas, ainda soltavam um brilho intenso.

Com as mãos trêmulas, ela tocou a lâmina, sentindo, nos relevos do entalhe, a marca profunda do tempo.

Santiago virou-se para ir embora. Verônica não se conteve e o chamou:

— O que isso significa?

Ela achara que ele explodiria, que a cobraria, a insultaria, a odiaria...

Ela já estava pronta para suportar a fúria de Santiago.

Como se só assim sua vontade de vingança pudesse se satisfazer.

Mas a reação dele fugia completamente do que ela esperava.

Parecia que ele viera ali apenas para devolver aquela faca.

— Lúcia mandou eu te dizer: ela vai cuidar disso. Você não precisa se preocupar. O acordo de vocês continua valendo.

— E mais: não fique olhando a opinião pública. Se se vingar de mim te deixa feliz, então não apareça com essa cara horrível.

— ...

Santiago não olhou para trás. Disse isso e foi embora de vez.

Os lábios de Verônica se entreabriram, mas nenhuma palavra saiu. Um vazio enorme a envolveu, e ela se sentiu ridícula até o osso.

Lúcia trabalhou sem parar até o fim da tarde; só então conseguiu voltar ao escritório e se sentar para respirar.

O lançamento estava próximo, o tempo já era curto. O conselho do evento só lhe dera dois dias; com os outros parceiros, naquele dia, ela apenas tentara conter o pânico.

Mas, antes da manhã seguinte, ela precisava apresentar uma proposta final.

Ela não tinha como se comparar a Fausto Ximenes.

— Eu vou pensar com clareza.

A voz de Lúcia saiu neutra, calma demais.

— Pensar o quê? Eu já te disse: Verônica não serve. Não tem capacidade e não tem lealdade. Usar ela foi brincar com fogo...

— Ela é sua filha. Do jeito que ela está agora, você não se importa nem um pouco?

Lúcia não respondeu ao que Lorenzo disse; devolveu com uma pergunta, incisiva.

Lorenzo soltou uma risada fria.

— Se ela me tratasse como pai, não fazia uma coisa vergonhosa dessas.

— Eu mandei o Santiago falar com você. Se você tirar a Verônica, eu cuido da opinião pública e tento reduzir o prejuízo ao mínimo...

---

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição