— Mas, se você insistir, eu também não vou mais te ajudar.
Lorenzo desligou.
Ele tinha certeza de que, desta vez, por mais rebelde que Lúcia fosse, ela saberia o limite.
Assim que a ligação terminou, Santiago chegou.
Ele bateu de leve na porta; só depois de ouvir Lúcia responder baixinho, entrou.
Lúcia não acendera as luzes. A noite pesava. As paredes de vidro refletiam as luzes da cidade — coloridas, mas ainda mais solitárias.
— Este é o plano de crise.
Santiago colocou o arquivo de lado. O corpo pequeno de Lúcia afundava na cadeira; ela mantinha a cabeça baixa, pensativa.
— Com os parceiros, você não precisa se preocupar tanto. Eu tenho alguns contatos. Talvez eu consiga intermediar e minimizar o impacto.
A primeira parte era o que Lorenzo mandara ele fazer; a segunda, ajuda que Santiago oferecia por conta própria.
Mas Lúcia não ouviu com atenção. Para ela, tudo o que Santiago trazia era, no fundo, o resultado das decisões de Lorenzo.
— Irmão.
Depois de um tempo, Lúcia inspirou fundo e olhou para Santiago.
Na penumbra, o rosto dele parecia ainda mais bonito.
Ele vestia uma camisa cinza simples. Alto, mantinha-se ereto; a calça social caía até os sapatos de couro brilhantes, e as pernas longas pareciam desenhadas.
— Então você também acha que tirar a Verônica e quebrar a palavra... é o melhor?
Lúcia usara as palavras mais negativas de propósito; Santiago entendeu o que ela queria dizer.
— Não é quebrar a palavra. É pesar ganhos e perdas. E...
O pomo de Adão de Santiago se moveu.
Ele caminhou até a janela e, como se tomasse uma decisão, baixou a voz:
— Verônica já traiu você há muito tempo.
— ...
A sobrancelha de Lúcia tremeu, mas ela não pareceu tão surpresa.
Ele se aproximou de Lúcia e, ao terminar a frase, apoiou uma mão na mesa, envolvendo-a sob o próprio corpo.
— Quem realmente vai quebrar a palavra... sou eu.
Sobre o que havia acontecido entre Santiago e Verônica, Lúcia já tivera curiosidade.
Mas, como ele não queria falar, ela nunca insistira.
Dessa vez, porém, Santiago viera para contar.
Em vez de deixar Verônica usar aquilo como ameaça, ele preferia dizer tudo com a própria boca.
Desde que Verônica começou a entender as coisas, Lorenzo a mandara para um colégio interno. Só a mãe a visitava com frequência, pedindo que estudasse, que crescesse logo.
Porque, dentro da Família Ximenes, o pai valorizava muito a capacidade dela.
Só mais tarde Verônica entendeu o que aquelas palavras, uma a uma, realmente significavam.
Quando Verônica tinha dezesseis anos, a mãe morreu de repente. A polícia concluiu: suicídio.
Depois disso, Lorenzo a levou de volta para casa, mas Verônica não viu, no rosto do pai, nem um traço de tristeza.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...