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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 83

Ela tinha medo, afinal.

Medo de sair de um inferno e cair em outro abismo, ainda mais incontrolável.

Guilherme não a olhou; manteve os olhos à frente.

Mas a atmosfera ao redor dele despencou, num instante, até o gelo.

— Acordo?

Ele repetiu a palavra com um traço de sarcasmo.

O carro virou bruscamente à direita e parou no acostamento.

Guilherme soltou o cinto e avançou sobre ela.

O cheiro e o calor de um homem adulto a envolveram por completo.

Beatriz ficou presa entre o banco e o peito dele, sem espaço para recuar.

— Beatriz.

Ele segurou o queixo dela, obrigando-a a encarar seus olhos.

Aquele olhar era como lâmina gelada — e, ao mesmo tempo, como uma chama comprimida por dez anos.

— Eu, Guilherme, nunca minto. E nunca faço negócios que me deem prejuízo.

Cada palavra caiu como marca em brasa no coração de Beatriz.

— Eu quero você. Não é acordo. É sentimento.

Beatriz ficou atordoada.

No choque, ela ergueu a mão para empurrá-lo, mas, no movimento, tocou sem querer o botão do console central.

O compartimento se abriu.

E uma peça apareceu diante dos olhos dela.

Um broche de prata em forma de folha de ginkgo, de estilo antigo, com uma pequena mancha escura já seca.

As pupilas de Beatriz se contraíram.

Aquele broche... era uma relíquia de sua mãe.

Diziam que fora desenhado pela própria mãe, único no mundo.

Naquela noite de chuva, negra e desesperada...

Na noite em que Matheus a expulsara da família Andrade e jogara todos os seus rascunhos no lixo...

Ela entendeu.

Entendeu por que, quando não tinha nada, sempre havia uma mão que a resgatava do fundo.

Beatriz ergueu o olhar e encontrou aqueles olhos sem fundo.

Tremendo, levantou o broche.

Desta vez, o coração de Beatriz estava, pela primeira vez, calmo.

No cartório.

Foto, assinatura, carimbo.

Quando dois livretos novos, de capa vermelha, foram colocados nas mãos deles, Beatriz ainda se sentia meio fora do corpo.

Ela... tinha se casado assim?

Tornara-se Sra. Guimarães?

Ao sair do cartório, o sol feriu os olhos.

Guilherme segurou a mão dela, entrelaçando os dedos.

— A partir de hoje — ele virou o rosto para ela, com o olhar ardendo —, o seu futuro é minha responsabilidade.

No terceiro dia como Sra. Guimarães, Beatriz recebeu um convite para entrevista.

Do Instituto Arca de Pesquisa.

Era a instituição de pesquisa mais prestigiada do país, uma joint venture com capital internacional, de origem misteriosa e recursos abundantes, reunindo cientistas de elite do mundo inteiro.

Entrar na Arca era o sonho de qualquer pesquisador.

— Um amigo meu é diretor lá. Eu enviei seu currículo. — Guilherme falou como se não fosse nada. — Vá tentar. Considere como experiência.

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